Escrito em setembro, encontrado hoje.
Mal consigo me lembrar dos motivos iniciais. A cidade, suja cidade, desperta agora olhos mais críticos e que, ultimamente, andam amargurados. Onde estava escondia toda essa pobreza de espírito e de bolso? Como se esconderam de mim, decadência e precariedade?
A cidade, a minha cidade, agora explícita em sua pequenez. O esforço desperdiçado anda a vagar, em um último suspiro de impaciência. Seus defeitos agora são impiedosos, fazem questão de esfregar os destroços dos meus sonhos pueris na minha cara tão limpa e dispersa. Olhos, redondos olhos, assustados olhos e por fim, molhados, encharcados olhos.
E eu pergunto, por que?
Talvez porque a esperança tardava na caixa preta de Pandora e agora, que se pôs a mostra não deixou nem sombra da nostalgia de antes. Arrastou a inocência de mim, essa quimera.
Mas eu te amo, não entenda mal. Apenas te amo com suas cicatrizes, sua face paralisada, sua anemia, sua intoxicação, seus germes, suas desgraças. Oh, cidade sitiada. Eu te amo, mas não te desejo mais.