21 fevereiro 2013
Responsável
Vamos falar sobre responsabilidade. Não importa o quanto você já a tenha, ela há de aumentar. Até que fique maior que sua altura, até que já não caiba mais nos espaços fechados por onde anda, até que te faça curvar para tudo e todos. Você se submete tanto até o momento em frente ao espelho em que enxerga apenas a responsabilidade no canto dos olhos, entre as sobrancelhas e em volta da boca.
Sobre a responsabilidade que não deveria ser nossa, mas ainda assim, o é. Como um parasita que, uma vez depositado em nossas entranhas, passa a querer se alimentar mais e mais de nossa saúde até inflamar o organismo todo ou como um simples apêndice, que existe, porém, não deveria.
Sobre a responsabilidade de sermos quem somos. E até querermos ser o outro, às vezes e o tempo todo. A grama do vizinho, a cama do vizinho, a lama do vizinho. Mas somos quem somos, desde sempre e quem somos? Somos todos incompletos, mas precisamos completar o nosso tempo, o nosso currículo, o nosso bolso. Falemos de um precipício e não o chamemos de covardia.
Foto: Eleonora
