05 fevereiro 2013

Disk-intimidade


Acabei de me inscrever em um aplicativo do Facebook chamado BangWithFriends. Sem mais explicações, é uma rede para amigos que buscam outros amigos com benefícios. Falando com sinceridade, não sei como me sinto em relação a isso. São pensamentos difusos. Ao mesmo tempo que quero ser muito moderna quanto a possibilidade do sexo fácil, me pego pensando nos valores que criamos ao nos submetermos a esses benefícios da pós-modernidade. Quando digo valores, não me refiro aos moralistas, mas ao apreço que sentimos pelo outro, ao respeito e também ao tesão - e aqui suponho que, como eu, todos concordem que o tesão é um valor e vai além do ato sexual.

Que haja sexo pelo e por sexo, que haja o prazer em todas as formas que o homem - e a Mulher, com M maiúsculo - achar conveniente. Que o prazer escancare à nós todos o motivo pelo qual estamos aqui. Que esse contorcer dos dedos, arrepiar dos pelos, suor e saliva nos suje e nos limpe cada vez mais. Que morramos de tesão todas as noites e nas manhãs seguintes, antes de ir para o trabalho. Por que não? Que o sexo encontre uma morada saudável no cotidiano das pessoas. Exatamente por ser tão natural quanto comer quando se sente fome. 

Porém, o que esperar daquilo que nos surge ainda mais fácil do que o alimento que nos faz resistir e sobreviver? Estaríamos, por fim, reduzindo ao mínimo o ato que, como já disse, pode também representar o motivo pelo qual nos encontramos no mundo? Será mesmo o homem/mulher "estômago e sexo"¹? E quanto ao algo mais? Aquilo que levamos para cama após o ato sexual, os assuntos, os silêncios, os cigarros de nicotina ou maconha, as risadas; enfim, a intimidade. Estaremos com tanto medo daquilo que somos e daquilo que se transforma dentro de nós quando deixamos a intimidade entrar ao ponto de usarmos subterfúgios para evitá-la de uma vez por todas? Porque não há nada menos pessoal do que um disk-sexo e eu encontraria muito mais intimidade - e tesão - sozinha, nos meus próprios lençois. 

O sexo, esse é superestimado. Mas a intimidade, meu amigo, essa nunca me decepcionou.