05 maio 2008

Sadomasô.

Julgar-me transformou-se no seu prato preferido, é que agora, com a chegada da diabete esse é o único prato doce que o restou. A mim é meio-amargo, mas cada um com seu gosto próprio.

Mais além há a parte yin, que toca e transcende sempre aos extremos. Somente existe o melhor e o pior de mim, sou sempre divina ou endiabrada. Yin ama meu intimo como a um velho amigo, enquanto eu mesma o desprezo.

Sou julgada, amada e me desprezo. Não a vida, mas a mim mesma. Parte infundada de uma anti-poesia, nada épica ou glamurosa.

No entanto, sou necessária aos dois e desejo unicamente arrostar só todo o caminho. Não o consigo. Minhas entranhas estão acorrentadas. Como alguém consegue se livrar de suas entranhas?

[Pseudo-sadomasô]

Escolho o mais fácil, me vomitar e me engolir de volta. Fingir que é o melhor, ser novo dói muito. E se a diabete é hereditária, assim como o gosto pelo julgamento e o amor pelos extremos, talvez os fracassos também sejam, por isso é bom me acostumar. Sou parte de um sonho que ninguém nunca teve.

Yin diria: “Isso é coisa da idade”.
Diabete diria: “Isso é culpa do ócio”.
E eu apenas me contento em ser náusea para mim mesma, fracasso para mim mesma, previsível para mim mesma e clichê por toda a vida.