O meu melhor são minhas ausências. Não o nego e nem o abomino. São minhas ausências que me fazem humana. Sem elas, não seria e não poderia ser.
Só ultrapasso a divindade quando encontro fragmentos teus. Você que grifou este trecho que leio agora. Você, que grifa os trechos reconhecíveis pelo seu coração. Coração que se ausenta e faz de você tão humano quanto eu. Se eu te levar a divindade, poderei retribuir a divindade que me proporciona a cada breve olhar. É uma nova meta, estava a precisar de uma. Escolhi você.
Não hei de procurar sua atenção. Sei que não vou encontrá-la. Você mora no silêncio e é no silêncio que vou te buscar. Sei o que te falta, sei que não o procura. Sinto que você é inatingível. Gigante. Empedernido.
Percebe porque me escondo? O seu pesar me magoa sem que eu ao menos tenha conhecimento do abismo que ele cria. O amor e o seu inferno.
Dizem que grifamos nos livros o que não conseguimos expressar por nós mesmos. Se assim é, você sofre. Então, alguém mais sofre além de mim e o sofrimento nos envolve.Contento-me com mais essa descoberta. Eu, que de ti tudo sei e você, que nem ao menos me repara. Nós podemos atingir a divindade juntos, mas você ainda não o quer e eu não consigo sem você. Minha meta continua. Mas o caminho continua sendo o silêncio.