31 agosto 2008

As Intermitências da Morte - Saramago

“A Morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.”

28 agosto 2008

Nós.

- O bom de nós é isso. Passam-se anos e lugares por nós dois, mas sempre fica aquela coisa, que cresce e que me faz pensar que poderia ter sido muito diferente.

26 agosto 2008

Perdas.

Podíamos ter sido o mundo um do outro. Mas foram tantas desavenças e desconfianças, os meus segredos, os seus acessos, o nosso pudor. Não nos demos a devida importância e agora perdemos o brilho.

Eu sei que você está tentando criar um rumo longe de mim. Admiro sua coragem. Só para constar: - eu continuo estática e com o coração desbotado. Não canto, não declamo e não choro mais. Não me arranho com os cacos de outrora, os cacos de mim que arranham meus dias. Não sonho mais e os sonhos não me sonham. Perdi meu prumo, meu rumo e você. Perdi todo o resto, rápido e intenso como um efeito colateral.

25 agosto 2008

Saudade.

Saudade não é palavra paterna
É ambidestra porque machuca nos dois lados do
coração.
Triste é você sentir saudades antes da hora
É imaginar a
perda.
No vazio existe algo.
Saudade ocupa todo o espaço.


-Ora pai, o que afinal de contas aconteceu com nós dois? Além de dezoito longos anos de luta e pouca glória. O que fez com que você deixasse de ser esse homem da poesia para passar a ser o motivo principal de minhas noites mal-dormidas?

23 agosto 2008

Vai saber.

Falta afago para o lado de cá e sobra para o lado de lá. É um destratar gratuito-dispensável. Mas vai saber os motivos que levaram o homem a andar sobre duas patas ou dar o cu. Vai saber.

Besteira foi pensar que a facilidade me encontraria desde que eu não estivesse sozinha. Pois a solidão me encontrou e a facilidade largou mão de mim. Estou só em meio a tudo isso que fingimos ser saudável.

18 agosto 2008

PEDRA.

“Você não se abre”, “não fala sobre si”, “não deixa as pessoas se aproximarem”, “mete medo”. Será mesmo? Só porque não grito aos quatro ventos o pesar que estou sentindo, porque não aviso para ninguém sobre os meus dias suicidas e porque ofereço ajuda em vez de pedir por ela. E eu que pensava que o nome disso era altruísmo. Altruísmo uma porra!

09 agosto 2008

Eles não me disseram nada. Calaram-se com o silêncio que mata o dia e esconde o sol. Enquanto isso você ria de mim. Com sua vingança arrancou a esperança pueril que havia em meu coração. Fez de mim mais pedra e menos coração.

Se tivesse paciência, “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

Fecha-se mais um ciclo, sem que eu conheça o motivo dos humanos e quais são os seus segredos.

07 agosto 2008

Tudo que eu queria.

Queria eu ter baseado minha vida em sexo. Por onde transei, com quem transei e os 17 segundos de transe. Ainda dá tempo? Se os meus passos não são escolhidos por mim e o acaso me leva cada vez mais para longe da prosperidade. Ainda dá tempo?


Queria eu ter me viciado mais cedo em todas as coisas que garotas não fazem. Ter fugido das regras, ter desvendado florestas e camas e lençóis e corpos, principalmente o meu.


Queria eu ter desvendado meu corpo, seus equívocos, seus sabores, seus acessos, seus delírios e suas faltas. Queria eu que você descobrisse os meus medos, mas foi por altruísmo que eu me calei e te espantei com os meus sarcasmos de fuga. Mas eu queria também que você fosse mais homem, para apalpar, encarar, vencer meus silêncios. Ah, se soubéssemos falar de amor.
Queria eu ter descoberto o amor e o depois dele.

06 agosto 2008

I’ll be your mirror reflect what you are, in case you don’t know.
I’ll be the wind, the rain and the sunset. The light on your door to show that you’re home. When you think the night has seen your mind that inside you’re twisted and unkind. Let me stand to show that you are blind.
Please, put down your hand ‘cause I see you. I find it hard to belive you don’t know the beauty that you are. But you don’t let me be your eyes, a hand in your darkness, so you won’t be afraid. I’ll be your mirror.