30 abril 2008

A falta que mais dói.

Ô vô, que saudade de você que foi o melhor homem que conheci na vida. Saudade das suas poucas palavras e dos seus muitos sorrisos. Saudade do seu beijo molhado, do seu perfume, de beijar suas mãos marcadas pelo tempo e sua bochecha com a barba por fazer. Saudade do seu café boiando em cima da montanha de açúcar. É uma saudade que dói vô, porque eu era tão mais feliz quando você estava aqui.

Tudo mudou tanto, o mundo agora é triste e eu consigo sentir a dor dos outros como se fosse minha. Eu me lembro vô, de como o mundo era inocente quando você estava aqui. De como a sua pele e coração eram quentes e também me lembro de como foi beijar-te gelado. Gelou um pouco o meu peito, sabe? E ele só tem esfriado mais, desde então.
Estou te esquecendo aos pouquinhos e isso dói, como dói! Pois ao mesmo tempo eu tenho esquecido da felicidade que eu desaprendi a sentir desde que você se foi. E de quem eu era, sua neta preferida. Acho que você não me reconheceria não... eu já não faço massagens e nem cafunés, eu não crio coisas e nem faço desenhos, eu ainda escrevo mas com menos qualidade, eu não tento mais agradar a ninguém. Seria tudo tão diferente se você estivesse aqui. Eu gostava mais de mim porque eu sabia que você gostava. Agora eu nada sei. Agora eu não sei ser.

27 abril 2008

O Sacrifício.

(sa.cri.fí.ci.o) sm.1 Ação ou resultado de sacrificar(-se). 2 Oferenda aos deuses. 3 Rel. A missa. 4 Renúncia voluntária a favor de um ideal ou de uma pessoa: “Lá vai para frente/ o que se oferece/ para o sacrifício/ na causa que serve.”(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência). 5 Tarefa desagradável que se deve realizar.

Eu não sei se eu sou muito cruel, chata, egoísta e acomodada ou se é mais fácil para você dizer que sou tudo isso e poder justificar o afastamento do afeto que me dava e que hoje me ponho a duvidar se chegou um dia a existir. Fui sempre um sacrifício? Ponho-me a duvidar se algum dia eu já tive motivo para me orgulhar de você, já que você acha que mereço tão pouco. A importância é dada a outrem e antes que eu me magoe sem ter cura, eu preciso ir. Longe dessas disputas de atenção com um ser banal que foi imposto ao meu convívio.

Odeio julgar e ser julgada (peço desculpas se me traí agora, julgando talvez de forma errada). Devido a sua importância é difícil criar um veredicto para mim, para você e para nós dois. É que eu te amo tanto e fiz de um tudo para ser isso tudo que você quer ver em mim e principalmente, ser isso tudo que você quer mostrar que eu sou. Tem sido impossível para mim ouvir suas críticas em forma de lista. Elas acabam comigo sem acabar. É um estoque incrível que eu nunca pensei que seria capaz de ouvir.

Eu odeio todas as horas que temos passado juntos e em companhia de outrem. As de paz me parecem de hipocrisia, para que os outros pensem que está tudo bem. Enquanto para mim, vai assim, tudo tão mal. Já desenhei o caminho da minha forca. Só conseguirei escapar dela se me afastar de você. Você volta quando quiser e se quiser. Volta a ser o que era antes.

Nunca pensei que a proteção iria acabar, nunca pensei que exigi-la poderia ser entendido como egoísmo. Eu achava que ela era natural e que não era sacrifício algum, para ninguém. Talvez eu esteja enganada, mas vou livrar-me dela e pronto, pode ficar bem feliz. Desisto de ver essa sua crise de meia-idade que só me faz mal. Pode correr atrás de uma juventude perdida. Pode se enganar dando espaço para a juventude dos outros. Pode dar à cara a tapa para uma mão mais jovem que a sua. Eu guardo a minha mão para o afago que você vai precisar quando esta historinha acabar. Porque eu vou me manter nos bastidores, sem força para te dar beijinho de boa sorte. Eu não tenho força para assistir nenhum declínio. O declínio dos outros sempre me entorta também e o seu seria capaz de me levar ao chão. Cai chão. Caixão. Você volta quando quiser e se quiser. Volta a ser o que era antes, porque essa minha mão só afaga e não apedreja, pelo menos não a você.
“Mas eu não caio do salto, não brigo e não falto com a minha verdade.
Sinceridade, sai que a fila tem que andar!”

21 abril 2008

Tic-Tac


Eles percebem-se no silêncio [...] Tic-Tac sem ser par. Seus olhos procuram-se sem se encontrar, propositadamente se deixam demorar, um perto do outro. Ele tenta ouvir sua risada. Ela tenta sorrir para ele. Nunca conseguem. O tempo a passar. Tic-Tac sem ser par.


Ela queria oportunidade para ouvi-lo, para concordar, para aprender, para completá-lo [...] sentir aquele encantamento presente, dizem, somente no que é real. Ele queria ter oportunidade para falar-lhe, para recebê-la, vê-la corar ao enaltecê-la [...] sentir o encantamento presente somente nos seus romances desgastados.


Eles queriam escrever uma história. Mas não há, ainda, para isso, um final feliz.

20 abril 2008

Os crimes do amor.

“Oh! Como é falsa essa embriaguez que, absorvendo os resultados das sensações, coloca-nos num tal estado que nos impede de enxergar, que nos impede de existir senão para esse objeto loucamente adorado! É isso, viver? Não será, antes, uma privação voluntária de todas as doçuras da vida? Não será permanecer, voluntariamente, nas garras de uma febre arrasadora que nos devora e absorve os gozos metafísicos tão semelhantes aos efeitos da loucura?”
Sade em “Os crimes do amor”.

18 abril 2008

Para o Sr. Excêntrico.

Ai, como me desperta! Meus olhos procuram por ti, arregalam-se apressados a cada movimento teu, sem conseguir perder um suspiro sequer. Esperando, calados, um olhar de recompensa.

E ele tem vindo. As barreiras estão se quebrando. O dia em que descobrirei se você é tudo isso está chegando. Espero que esteja esperando por alguém como eu, para acalmar-lhe o coração.

Será que os meus devaneios diminuirão? Será que o teu silêncio se romperá? Então poderemos trocar livros, discos, frases, sorrisos e sentimentos... Envolvidos por uma cumplicidade jamais vista nesta cidade de desilusão.

O personagem dos meus sonhos, Sr. Excêntrico. Torne-se palpável para mim! E um dia eu poderei te contar dos sonhos que tive e das vezes que te encontrei entre eles.

16 abril 2008

Por corredores.

No momento não há ninguém em especial a quem eu dedique meus escritos. Talvez os de ódio, mas não os de amor. Meu amor está sem rumo. Baita tristeza isso de ter amor para dar, mas não achar ninguém que o mereça ou que ao menos o queira. Não me rebaixo e tento não pensar nisso.
Outro dia me tocaram a mão suave, mas eu só o percebi depois de dois corredores, a essa altura a oportunidade já estava perdida. Eu sempre percebo apenas as oportunidades desperdiçáveis. As boas como essa, carregadas de afeto, de aconchego e de vontade recíproca, essas sempre passam sem que eu as veja. Mas um dia isso há de mudar e eu passarei a contar meu tempo por beijinhos e não por corredores.

Tenho dito. Ponto final.

Vaidade.


Tenho 17 anos e não sou bonita - pelo menos não com aquela beleza que enjoa ou que dá medo. Aquela que nos faz sair de perto, ter náuseas e dores na pupila, como claridade aguda despertando minha fotofobia. Eu nunca a quis. Nunca quis ser nada além do que sempre fui. Isso. Que a ele não agrada.


Talvez a vaidade possa fazer com que me olhem antes de me ouvirem, ao menos uma vez. Mas é um preço muito alto, prefiro é ser eu mesma. Isso aqui. Que a ele não agrada. Não é sempre que tenho tempo de falar. Não é sempre que as pessoas estão dispostas a ouvir.


Eu gostaria de ser e te agradar ao mesmo tempo, mas é tão difícil. Está tão ruim desse jeito? De cara eu não posso mudar e nem de coração, sinto muito.


15 abril 2008

.

Queria falar contigo,
Dizer-te apenas que estou aqui,
Mas tenho medo,
Medo que toda a música cesse
E tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
Com que teces os dias sem memória.
Eugênio Andrade.

14 abril 2008

Mundo Moinho.

- É um mundo engraçado.
- Por que?
- E você liga?
- Claro que sim!
- Por isso que é engraçado, caso você não ligasse ele seria um baita mundo trágico.
- Você é muito, muito estranha, mas eu te amo assim mesmo.
- É, eu sei, é porque é um mundo engraçado.

"Ouça-me bem amor, Preste atenção, o Mundo é um Moinho, Vai triturar teus sonhor tão mesquinhos, Vai reduzir tuas ilusões à pó." - Cartolinha (Branca).

12 abril 2008

[...]

Sondar, amparar, debruçar, lamentar. Tantos verbos em um só sentimento e tudo o que eu realmente queria era ignorar o figurado. Deixar de ser alvo, fugir do óbvio. Clichês demais só podem significar algo inventado.

Quem sou eu para duvidar e fazer valer? Nosso fim, certamente, são reticências e ainda que essa dor amenize com o passar de outonos, sempre haverá um pedaço de você nos meus escritos, nos meus anseios, nas minhas certezas.

Seria diferente se tivesse acontecido? [...] Mas nós não nos favorecemos, amor.

10 abril 2008

Hipocrisia

Onde foi parar minha hipocrisia? Um humano que nunca recorre a Deus precisa de hipocrisia, orgulho e prepotência para sobreviver. É único jeito de conseguir manter-se saudável.

Prepotência para acreditar que acima de mim não há ninguém, orgulho para defender essa tese e hipocrisia para fingir que está sempre tudo bem.

Se ao menos Deus existisse, eu teria pena dele e de sua cruz. Mas eu tenho pena apenas de mim e da vida que eu tento e não consigo abandonar.

06 abril 2008

Outono.

Hoje eu acordei com uma vontade danada de rimar você durante todo, todo o dia.
Mas aí foi declarada uma guerra.

Diz mesmo, para quem inventou o pecado, que ele esqueceu de inventar o perdão. E diz para ele largar mão de desavença, porque não é só a alma dele que está em jogo não e o que era paz, meuDeus, o que era paz? Deixou de ser.

Antes de descobrir do fogo cruzado em que me colocaram, eu senti meu cabelo como o mais lindo do mundo, merecedor de atenção, sabecomoé? Mas passou, passarinho.
Queria rimar você mas não pensei que você mereceria.

No final das contas foi um dia desesperador e ainda assim, valeu a pena. Dia de sol, de falta de comunicação entre uns e excesso entre outros, de toques suaves que me salvaram de outra insônia, de outra navalha e da nicotina e outras inas inas inas. E esse dia passou.

Me alegra a alma quando a gente tenta falar uma coisa sabendo que ninguém, nem um ser sequer, entenderia. Me alegra a alma também quando vencemos nossos vícios, mas nos perdemos em solidão. E então eu durmo.
Como se fosse a primavera e eu morrendo.

02 abril 2008

Tenho dito.

Ontem eu tive insônia, hoje acordei de mal humor. Não pela insônia porque à ela já me acostumei, mas porque tive de acordar para ouvir a mesma ladainha que o mundo insiste em susurrar ao pé do meu ouvido.

Ser surda, muda e cega seria a glória caso a solução não fosse nascer de novo. Já tentei, mas até para nascer de novo a burocracia é insuportável.

As dores do mundo me atingem em cheio, somadas as minhas dores já não aguento mais. A solidão e a insônia são pouco frente a impossibilidade de criar coisas grandiosas, ou amores que não fossem banais. As certezas são tão pequenas e o desafio é tão superior que transcede até mesmo os devaneios que crio em noites de insônia, como a passada.

Pensei em você, pensei em ser um ser humano, ou deixar de ser, pensei na ética que falta nas relações entre as pessoas, pensei em sufocar em silêncio, mas nesse momento o sono chegou. Talvez ao dormir eu seja bem interessante, mas não é certeza, meu amor, e fora isso, eu não tenho nada mais a oferecer.