30 abril 2008

A falta que mais dói.

Ô vô, que saudade de você que foi o melhor homem que conheci na vida. Saudade das suas poucas palavras e dos seus muitos sorrisos. Saudade do seu beijo molhado, do seu perfume, de beijar suas mãos marcadas pelo tempo e sua bochecha com a barba por fazer. Saudade do seu café boiando em cima da montanha de açúcar. É uma saudade que dói vô, porque eu era tão mais feliz quando você estava aqui.

Tudo mudou tanto, o mundo agora é triste e eu consigo sentir a dor dos outros como se fosse minha. Eu me lembro vô, de como o mundo era inocente quando você estava aqui. De como a sua pele e coração eram quentes e também me lembro de como foi beijar-te gelado. Gelou um pouco o meu peito, sabe? E ele só tem esfriado mais, desde então.
Estou te esquecendo aos pouquinhos e isso dói, como dói! Pois ao mesmo tempo eu tenho esquecido da felicidade que eu desaprendi a sentir desde que você se foi. E de quem eu era, sua neta preferida. Acho que você não me reconheceria não... eu já não faço massagens e nem cafunés, eu não crio coisas e nem faço desenhos, eu ainda escrevo mas com menos qualidade, eu não tento mais agradar a ninguém. Seria tudo tão diferente se você estivesse aqui. Eu gostava mais de mim porque eu sabia que você gostava. Agora eu nada sei. Agora eu não sei ser.