08 março 2012
Tensão em Pizan
Passei na livraria antes de almoçar e logo hoje, dia internacional da mulher, tal e coisa, comecei a foliar o "Em defesa do amor - Resgatando o romance no século XXI", de Cristina Nehring.
A autora começa exemplificando as vezes em que a literatura - e o "feminismo" - retrataram o amor como uma das formas de manter a mulher aprisionada. Como se a entrega, a procura do amor romântico fosse apenas um artifício para afastar o pensamento crítico das mulheres. Cristina cita cerca de três feministas que foram desqualificadas por suas companheiras por permanecerem gostando de homens e escrevendo sobre esse gosto - cada dia mais peculiar. Ou ainda, como em biografias sobre homens, é ressaltado a busca de um ideal ou conhecimento, enquanto a mulher sempre é vinculada a um romance. Meu pai, essa figura maravilhosa, lembrou de dois casos, "Como se Einstein ou Marx não tivessem amado". E realmente, não sei de nada da vida amorosa desses dois que respeito muito. Mas Frida, Simone, Anaïs, por exemplo, amaram e amaram! Todas as vezes que penso em Frida, penso em Diego e o mesmo vale para Simone e Sartre. O que está errado?
Uma vez li um artigo feminista sobre a "objetivação da liberdade feminina", que defendia, entre outras coisas, que ter direito ao corpo é também ter direito a usá-lo. E hoje estava eu lendo sobre a negação do amor e banalização do prazer, dentro do feminismo. Minha cabeça se encheu de dúvidas. Gosto de pensar que não uso o meu corpo porque é escolha minha e que amo poucos porque não quero desperdiçar meu amor por aí. Mas talvez, eu supervalorize ambas as coisas. O sexo como a banalização do amor e o amor como um sentimento vulgar, que me afastará de pensamentos muito mais importantes.
Até que ponto quem ama é livre? Se dizem por aí que amar é renunciar, abrir mão, aceitar. Mas, em contrapartida, como medir a felicidade de mulheres que são ensinadas a ter asco e, as vezes, medo do amor? Existe felicidade sem amor? Como declarar essas suprema liberdade - que toda mulher merece - sem se afastar do amor? Sinceramente, não sei.
Foto: A modern military mother
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