hoje pintei minhas unhas de verde e elas estão tão bonitas que me dá vontade de escrever olhando para elas. o nome do esmalte era absinto. pintei minhas unhas de absinto. absinto como o porre que tomei no Piauí, agarrada aos lábios de L. tentei me lembrar se um dia usei a palavra amor com ele ou outro alguém. disse que amava F., mas faz tantos anos que não me lembro se era verdade. amor de verdade. e não aquele "também" depois que dizem que te amam. "te amo também", não vale. percebi que o único que tocou neste assunto foi H., na vontade desvairada de quebrar o gelo, de me fazer sentir, de me estapiar, de me marcar. H. que me chupou até o oco, até me virar ao contrário, até que eu me perdesse de mim. ele disse "amor 'incoerente'". aliás, mais forte do que dizer, ele escreveu "amor 'incoerente'". escreveu e mandou, coisa que nunca tive coragem. somente meses depois consigo entender essas aspas: 'incoerente'. a redundância. todo amor é incoerente, todo amor. imagine quantas coisas nos escapam diariamente. meses depois eu percebi. todo amor. que não existe, não existiu. mas continua sendo incoerente.
hoje eu aprendi uma palavra nova: derrelição, em A Obscena Sra. D.. D de Dandara. D de derrelição, que quer dizer desamparo. imagine quantas palavras com toda essa força nos escapam diariamente. quantas palavras não chegam à nós. A Obscena Sra. Dandara não sabe as respostas para absolutamente nada. ela não entende nada. incoerente. está gagá. não é toda Sra. que chega a ficar gagá, algumas sabem morrer antes disso, com elegância. mas ela não. é deselegante e como já foi dito, Obscena. porque anda pelada por aí, mostra os seios para as crianças da vizinhança, apesar de não se interessar pelo sexo do marido. não quer mais. prefere se manter debaixo da escada perguntando a si mesma as coisas que não consegue responder. ficar na dúvida, porém pelada. tem um filme de Bergman, não me lembro qual. Trilogia do Silêncio, mas não me lembro qual. ele afirma que a dor de Cristo não era física, não é a cruz que pesa mais. mas a dúvida. se 'deus' o havia esquecido. se 'deus' ainda o merecia. se 'deus' se quer existia. o que te parece? será 'deus', essa alegoria de carnaval, digno de confiança? - foi o que Cristo pensou.
hoje uma idéia me possuiu. e ela gerou dúvida, e ela gerou amor, e um dia, ela se transformará em derrelição. porque tudo se tranforma em desamparo. incoerência. fim.