29 maio 2010

Brangane nos enganou

Hoje confundi um pombo com um gato. Estava sem óculos fazendo a vista diária na janela  da sala, para ver se o mundo mudou em alguma coisa. Bom... as vezes ele parece diferente. Tanto que até consigo confundir um animal nojento como um pombo com um gato. O gato, apesar de rua, sempre é de alguém e, por isso, ele não é tão nojento assim. Ele sabe precisar...
Estava com um copo d'água na mão que não matou minha sede, porque pensava em um cigarro e em você. Duas coisas que não posso ter. Aliás, você é como fumar. Não como o cigarro. Mas a sensação de ter o cigarro na bolsa e poder acendê-lo a qualquer hora. Puramente utópica e iverossímel.

"Na sala o velho parou. Fez um gesto largo com o chapéu em direção de Alice, como um nobre saudando uma rainha. Depois, na porta, olhou o homem e a mulher sérios no meio da sala e disse, grandiloquente: 'A porção que Brangane lhes deu para beber não é mortal'. Dito isso retirou-se dramaticamente."

Ainda não entendi se sou sua Alice ou sua Salete.

19 maio 2010

Evil

Querida,

É complicado isso que vou dizer, mas sinto que só me sobra uma chance. É agora ou nunca, Rosemary. Poderíamos estar em outra situação, é um fato. Porque esse envelhecimento que te tarda bateu na minha porta antes mesmo de você me conhecer. Queria te dizer que esse seu mundo não existe, que essa noção de posse te torna banal. Ninguém te pertence. Você se pertence quando se olha no espelho e não reconhece a imagem do fracasso que te envolve em um olhar de pena? Eu poderia te pertencer?

Responda-me, eu poderia pertencer a alguém?


Sandy, why can't we look the other way?

12 maio 2010

Signos


Já eu...



minha voz


não chega aos teus ouvidos


meu silêncio


não toca teus sentidos


sinto muito


mas isso é tudo que sinto
- alice ruiz.

11 maio 2010



Quando somos sinceros demais, arranhamos o tempo e a função do existir - a existência já é uma mentira. Vivo arranhada e já não me importo. Eu vivo. Ontem contei uma mentira e ela dói dentro de mim. Não sei viver doída, por isso me importo. Doerá dentro de ti, quando, em um dia demasiado exaltado, eu usar o meu dom mais grosseiro, esse que me faz juntar as sílabas feito faca que corta a carne até mesmo de quem amo. (Leia-me nas referências). Se as palavras tivessem retorno eu choraria por teu nome. Mas elas não têm e chorar por teu nome é tolice. 
O novo nome deste plural é "arrependimento". 

03 maio 2010

In The Sun






We all get to sleep sometimes everyday, menos você. Você é diferente de tudo o que eu vejo por aí, everyday. Aliás, você é irritantemente diferente. Você me irrita, everyday. Mas também me fascina e me faz desistir um pouco do convencionalismo (e da paralisia).

É como um Vaglia, que significa “acordar”. Mas, “acordar para o quê, Meu Deus?” – disse Clarice. E eu lhe pergunto, deveríamos acordar, mas para o quê? Dessa juventude que de tão lúcida me transformou em velha, “passada dos 40” – eu te disse. Por quê?  Porque não poderíamos ser mais fáceis e simples? - porém jamais simplórios.

We all feel ashamed sometimes everyday, e eu também. Sinto-me tão envergonhada de não ser a mesma de ontem e me refazer em palavras e em tão pouco tempo e por motivo tão seu. I'll just keep it to myself in the sun, in the Sun. Nós nunca saberemos. Porque o tempo é cruel, ele é Vaglia. Vaglia controla o tempo e não é molhado isso que escrevo. Não sou Clarice. Não poderia. Apesar de já estar passada dos 40.
My baby, my Darling, nós podemos fazer tudo de novo. Do começo.


– Chico, nosso.