31 maio 2009

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Por que a felicidade faz cócegas em quem não se acostuma com ela?

29 maio 2009

Sou de Gêmeos.

Eu fui acusada de ser geminiana demais. Em um ato falho fiz cumprir tal acusação. É verdade, se hoje estou bem, é fato que amanhã não vou estar da mesma forma. “Risco tremendo se envolver com geminianos” – ela disse – e eu concordo. Outro aspecto negativo: não sei lidar com perdas e ganhos. Ou ganho, ou ganho. Não há a escolha de participar. Por isso me jogo nos abismos quando ouço um não como esse último. E os abismos podem ser profundos ou apenas o ócio. Pode saber que o ócio machuca mais do que o suicídio, certeza que sim. Porque morrer é fácil, mas esperar pela morte, é para os que sentem dor derradeira e de derradeiro eu só tenho a dor, de um dia sim, um dia não. O resto que existe em mim é pura ilusão. É engraçado que as pessoas tenham o poder de me negar coisas, quase uma piada e eu, taciturna, deixo de ouvi-los e me tranco em certezas, pois foda-se a todos eles. Os amo demais, claro! Mas não o suficiente para levá-los em conta mais do que a mim mesma. Não sei quando, só sei que aprendi a me defender me obedecendo e escondendo os meus lamentos. Mas um dia, hei de estourar, e serei uma geminiana com ascendente em Áries, que irá jogar na cara de cada um, da forma mais cruel possível, o desprezo que sinto pelos penachos de todos eles e por eles em si. Para que eles entendam que cada engano, cada descuido, cada frieza, cada resposta negativa está muito bem guardada na minha memória que não tem fim. Eu me lembro de tudo, queridos e um dia vou lembrá-los também. Aguardem.


Eu não acredito em signos, mas o meu me é tão familiar que preciso gostar dele ou não gostaria de mim mesma.

19 maio 2009

Beleza é proteína

As Capitus de hoje em dia assim são. Escondem suas fortunas com mania de engrandecimento. Mal sabem elas que não se trata de dissimulação, tão vulgares que são não sabem o significado de tal palavra. O medo das Capitus é deveras maior do que as de antigamente, já não sabem ser caladas e obedecidas. Não existe mais tamanho mistério por volta de suas índoles, sabemos de antemão que quase nada elas valem. Tentamos fortemente combater a essa previsão, mas o apocalipse é completo, porque ninguém presta. Os presenteados entre as pernas e também as Capitus, de nada servem. Somos todos tão tolos. As Capitus com suas vergonhas travestidas em libertação feminina. A libertação feminina nos traz consternação em frente a todas as coisas do mundo. Tudo é sujo e pouco sabemos sobre a sujeira aceitável. Fazemos-nos vitoriosas, mas não encontramos um contraponto, um equilíbrio, uma forma saudável de se ser mulher. Quando abrimos nossas fortunas para todos os presenteados nos trancafiamos na imagem barata que aquela tal Bíblia inventou para nós e de misteriosas passamos a meras figuras coadjuvantes, enganadas por uma simples cobra. Sendo, pelo contrário, as cobras que rastejam por nós. Quando fazemos o contrário e supervalorizamos o que temos a oferecer perdemos o valor de mercado e até mesmo os Bentinhos perdem por nós o T Zão. Não por não sermos atraentes, bem pelo contrário, mas por estarmos a fora do entendimento que eles, rastejantes, são capazes de alcançar. E então não existem os duos gregos, não adianta mitos de andrógenos e nem mesmo Freud com toda aquela teoria de safadeza consegue explicar essa mania que todos têm por solteirice ou essa escapatória que os Bentinhos inventam de criar “relacionamentos” deveras inúteis.

Não adianta Pausânias e Banquetes de Platão. O amor não deveria ser uma troca entre duas Companhias. Não quero conhecimento, ou sexo, ou dinheiro, ou conforto em troca de “devoção”. Também não quero alguém que me complete, prefiro ser incompleta e permanecer humana. Humana e frágil, como os deuses gregos nos condenaram a ser. Porque beleza é proteína, o resto é cultural. Valide-se pelo conteúdo, querida Capitu.


[...]

"É dessa fraqueza que nasce a suspeita. Uma suspeita que se manifesta na famosa definição de Capitu como oblíqua e dissimulada, por causa dos seus olhos de ressaca: «Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e energético, uma força que arrastava para dentro, como uma vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca». Bento vê-se arrastado por essa força, e depois disso é o ciúme (e não o enigma) o protagonista da história. «Quem é Capitu?» é questão que na verdade já não se põe, porque Capitu é apenas um espectro."

15 maio 2009

Há tanto o que aprender.

E como que a bebida é capaz de combater os males do mundo de sobremaneira? Como que embriagados vencemos os nossos medos e de ressaca dormimos os dias ensolarados e quando a noite chega, os meus seios permanecem em suas mãos? Como não transpiro o seu cheiro se é por ti que todas as minhas glândulas funcionam? E como pude acordar de desvario tão bom?

Você chegava e se apoiava na parede. Só me olhava, sem dizer nada. Condizente com sua fama de brutinho e eu esquecia minha indiferença. Em um impulso eu cheirava a sua nuca, passava a ponta do meu nariz por sua face, beijava seu lóbulo alargado, infiltrava com os meus dedos a sua camisa e eles iam te conhecendo sem nenhum receio. E eles sempre se surpreendiam, pois havia, todas às vezes, algo novo a ser explorado. E, impunemente, você me tomava um beijo. E quando queria me calar, você me tomava o mesmo beijo, me fazendo esquecer dos meus motivos para ir embora, te largar. Durante esse tempo não houve carona, amigo, abrigo que nos atrapalhasse. Deixava-me em troca de goles de vodka com gelo e limão. De onde venho, chama-se caipirinha, mas a sua era sempre sem açúcar. Voltava com os olhos vidrados de desejo e um cigarro amassado amarelando as mãos. Mãos que seguravam o meu rosto, me imobilizavam e me faziam tremer. Eu te aceitava de volta em nome das tremedeiras e também porquê, para quem gosta, perdão é entre-pernas. Você se fazia vitorioso e ria das minhas pernas descontroladas. E quando eu explicava todas as minhas vontades você se assustava com os meus sonhos pro amanhã. Mas era tanta vontade de você. Vontade que me fazia esquecer de mim, da mídia, dos livros, da fome e das guerras. Vontade de apenas permanecer ali, fitando o meu e o seu umbigo.

Você não deu o devido valor e não compreendeu o meu não. Tanta prepotência. Não me toque mais, sim? Não quero mais descansar meus pensamentos nos beijos que me dedicou sem querer estar comigo. Se não é capaz de desculpar minhas vinganças, não seja vil até romper meus dias claros. Sexo é o vício da sua insegurança. Outra coisa, sua mãe é uma puta. Falei.

Acordei e os meus minutos pensam nas tremedeiras. Queria que tudo fosse verdade, inclusive você e o meu querer.

13 maio 2009

P***A

Eu poderia rechear de palavrões um relato simples. Eu sei usar palavrões. Os burgueses usam palavrões, eles fingem que não, mas eles usam e acham isso moderno. As moças peidam e de realidade em realidade, nada mais existe além dos palavrões. Não cheguei a essa limitação de verbetes por ninguém e, que eu saiba, não a provoquei em ninguém. Assim espero. Quero ser, para sempre, uma figura de linguagem. Como uma metáfora do Gabriel, qualquer uma. Inconfundível e gostosa como “Doce de goiaba”. Não quero ouvir falar de mongolóides que comiam o “ranho um do outro”. Não estou pronta pro mundo. Pro “traficante que faz sinal da cruz em frente à Igreja”. E queria mesmo morrer de câncer ao invés de morrer de amor. E me queimar com cigarros fedorentos e deixar as marcas que não são externas para quem tem olhos desatentos. Cortar os pulsos ou a orelha. Pintar em folhas de ouro, fazer da minha vida uma arte. Beijar marinheiros no final de uma guerra, ser fotografada por isso. Passear com sapatilhas vermelhas por tijolos eternamente amarelos. Ter um filho para dar a exata educação que recebi. Entender o porquê de o céu ser azul e o mar também. Transar com um gênio e me sentir diva de uma obra. Queria ter coragem para explicar todo o meu medo. Hoje o céu estava violeta e as nuvens estavam vermelhas. Eu queria chorar. Não chorei até agora. Eu queria te ter e não saber de você, ao mesmo tempo. Que você me odiasse e que visse em mim os defeitos que desempenho tão bem. Eu queria usar um palavrão na sua frente e ter coragem de desafiar o nosso encontro. Mas não estou pronta pro mundo. Porra, eu te quero tão bem que eu quero chorar porque eu não sei querer e sei que não me faço entender. Perdi minhas vírgulas, novamente.

Ponto (Palavrão).

05 maio 2009

Desculpa (in)formal.

Eu queria ser recíproca. É tão bonito quando as pessoas aprendem a ser duas ao mesmo tempo. Eu queria entrar devagar na vida de alguém que mire à janela todas as noites e sinta a neblina desenhando formas de mulher no vidro gelado. Queria um alguém que esperasse por mim, só por mim e não por qualquer sujeita que ocupe decentemente um lugar; seja ele no peito, na cama ou no ego. Eu queria não ter um ego de combate, para poder me encaixar no caos alheio, esquecer de mim por um tempo. Queria saber descrever um romance sem precisar usar referências que são muito mais interessantes do que as palavras que costumo utilizar. Mas o costume é tão vulgar, mesquinho e vergonhoso, que me acostumei a querer muito e fazer pouco.

Realizo-me na solidão e tenho plena certeza quando invoco o meu sofrer, porque esses calafrios não chegam nem perto do que espero de um amor. Amor é um só, é o que sentimos por nós mesmos e por aqueles que de tão nossos fazem parte de nós. E os que se foram, os que aqui ainda estão e os que aparecerão nesses anos mais próximos estarão perto demais da minha meninice para tornarem-se “o meu amor”. Provável que eu os decepcione, os traia, os abandone, os negligencie, os magoe e desde já peço desculpas. Mas como posso me redimir? Estamos todos procurando por um sentido e o meu é delimitado demais para continuar realizando a felicidade dos outros ao invés da minha.

Eu queria ser recíproca, mas, previamente, afirmo que é cedo demais.

04 maio 2009

Ceguei-me.

Inundada de perguntas. Afobada, bem calada, um pouco bêbada, com dores nos ombros e a voz tão mudada. Dia desses nós fomos a um bar bem bonito. Não bebi nada, o que certamente já contraria minha rotina e minha rota de finais de semana. A iluminação foi planejada para que as cores transmitissem sensações diferentes diante de tantas pessoas que coincidentemente cultivam o álcool. Já se passaram quatro anos desde os enganos do começo do ensino médio. Eu era tão mais magra. Mais certa, mais viva, mais farta de risadas e bons modos. Era uma boa amiga, boa filha, boa amante. Não me colocava no topo de nada e me jogava na frente do perigo por tantas pessoas. Hoje eu não me aventuro nem por mim mesma e pelo visto, você também não. Talvez tenham sido os países por onde você passou que transformaram você em uma pessoa com quatro sentidos. Falta-te tato, querida. Talvez tenha sido o meu ócio que me transformou em uma pessoa com seis sentidos. Falta-me espontaneidade, querida. Eu prevejo o fim de tudo, o desgaste, a queda, a comodidade, porque me pergunto demais.

Conheci pessoas que provavelmente nunca passariam pela minha vida. Na verdade, a capital do Brasil é uma cidade bastante segregada e nós estamos destinados a conhecer sempre um estereótipo, pois aqui água e areia nem sequer tentam se misturar. Não sei lidar com essas histórias internacionais, cheias de árabes milionários e chalés perto da esfinge do Egito. Adianta ir a Barcelona e não conhecer o museu do Dalí? Porque me parece perda de tempo e o tempo, ele é precioso. Pergunte-me sobre o tempo que te explicarei a relação que os Egípcios faziam com a relatividade que na época nem sequer possuía um nome, que dirá um conceito. Mas você não pergunta e se acha esperta demais.

E então conversei com a moça do cabelo curto que tinha uma inteligência estampada na cara. Falamos sobre Filosofia e bem, ela me disse coisa certeira que nem fez escala antes de me encher de emoção.

“Eu sei que não posso encontrar as respostas de tudo, mas eu preciso aprender a viver sem essas respostas ou vou para sempre adiar a felicidade”. E essa se tornou, a partir de então, a meta principal da minha vida. Antes que essa inundação de perguntas transborde de vez. Não quero mais as respostas, pois foi tão ruim descobrir certas coisas, que aprendi que a realidade nunca é igual ao que esperamos dela e a maturidade só chega quando nos tornamos leves. Leves na enchente de perguntas e vazios do peso da falta de respostas.

Viver as cegas é para quem pode.