15 maio 2009

Há tanto o que aprender.

E como que a bebida é capaz de combater os males do mundo de sobremaneira? Como que embriagados vencemos os nossos medos e de ressaca dormimos os dias ensolarados e quando a noite chega, os meus seios permanecem em suas mãos? Como não transpiro o seu cheiro se é por ti que todas as minhas glândulas funcionam? E como pude acordar de desvario tão bom?

Você chegava e se apoiava na parede. Só me olhava, sem dizer nada. Condizente com sua fama de brutinho e eu esquecia minha indiferença. Em um impulso eu cheirava a sua nuca, passava a ponta do meu nariz por sua face, beijava seu lóbulo alargado, infiltrava com os meus dedos a sua camisa e eles iam te conhecendo sem nenhum receio. E eles sempre se surpreendiam, pois havia, todas às vezes, algo novo a ser explorado. E, impunemente, você me tomava um beijo. E quando queria me calar, você me tomava o mesmo beijo, me fazendo esquecer dos meus motivos para ir embora, te largar. Durante esse tempo não houve carona, amigo, abrigo que nos atrapalhasse. Deixava-me em troca de goles de vodka com gelo e limão. De onde venho, chama-se caipirinha, mas a sua era sempre sem açúcar. Voltava com os olhos vidrados de desejo e um cigarro amassado amarelando as mãos. Mãos que seguravam o meu rosto, me imobilizavam e me faziam tremer. Eu te aceitava de volta em nome das tremedeiras e também porquê, para quem gosta, perdão é entre-pernas. Você se fazia vitorioso e ria das minhas pernas descontroladas. E quando eu explicava todas as minhas vontades você se assustava com os meus sonhos pro amanhã. Mas era tanta vontade de você. Vontade que me fazia esquecer de mim, da mídia, dos livros, da fome e das guerras. Vontade de apenas permanecer ali, fitando o meu e o seu umbigo.

Você não deu o devido valor e não compreendeu o meu não. Tanta prepotência. Não me toque mais, sim? Não quero mais descansar meus pensamentos nos beijos que me dedicou sem querer estar comigo. Se não é capaz de desculpar minhas vinganças, não seja vil até romper meus dias claros. Sexo é o vício da sua insegurança. Outra coisa, sua mãe é uma puta. Falei.

Acordei e os meus minutos pensam nas tremedeiras. Queria que tudo fosse verdade, inclusive você e o meu querer.