Como afirma Camus; eu também sou carregada pelo tempo e espero ansiosamente uma curva que me obrigue a percorre-la. E, desta forma, com que relutância me vejo idêntica aos demais, que, inconsequentemente, almejam por esse inimigo que nos acorrenta ao hábito de ter fé no futuro. Que fraqueza, que ingratidão! Eu só queria aceitar essa idade sem me fazer perguntas que só deveriam revoltar a minha carne daqui a dez anos. No entanto, como odeio os anos que ainda faltam para que eu consiga, finalmente, afirmar minha juventude que fora, de alguma forma, arrancada de mim algum tempo atrás. A verdade é que eu nasci velha.
29 julho 2009
The Curious Case of Dandara Lima
Como afirma Camus; eu também sou carregada pelo tempo e espero ansiosamente uma curva que me obrigue a percorre-la. E, desta forma, com que relutância me vejo idêntica aos demais, que, inconsequentemente, almejam por esse inimigo que nos acorrenta ao hábito de ter fé no futuro. Que fraqueza, que ingratidão! Eu só queria aceitar essa idade sem me fazer perguntas que só deveriam revoltar a minha carne daqui a dez anos. No entanto, como odeio os anos que ainda faltam para que eu consiga, finalmente, afirmar minha juventude que fora, de alguma forma, arrancada de mim algum tempo atrás. A verdade é que eu nasci velha.
25 julho 2009
O Hábito
Em dias de tempestade eu penso na Caverna de Platão. No meu pequeno quarto com a janela mostrando o céu bonito. Um céu que eu não poderia tocar ou amaldiçoar. Mas, então, percebo a minha existência enfraquecendo e por hábito pela vida, pego o telefone e tento ir a qualquer lugar. Quando isso não funciona, eu escrevo. Ou tento.
20 julho 2009
Globo Ocular
11 julho 2009
Capacidades
Não me preocupava em agradar Dona Nilza, porque sempre tive um espírito forte que se contentava em responder as minhas vontades, apenas. Muito me arrependo. Se pudesse prever toda essa nostalgia que me estapeia as manhãs de sábado, eu teria aceitado, de bom grado, ser evangelizada e também teria decorado todas aquelas frases do tipo “ele está no meio de nós”. No entanto, por um ímpeto de nascença, nunca houve em minha vida mínima esperança ou fé de que algo ou alguma coisa estivesse olhando por mim e acompanhando meus passos. Em bem verdade, eu nunca desejei que houvesse algo tão desocupado que perderia seu tempo medindo meus atos ou os de qualquer outro humano medíocre como eu. Eu não via necessidade física ou emocional de criar um Deus para mim e sempre me orgulhei disso.
Mas um dia me chamaram de “racional”. De um jeito grosseiro, impiedoso e profundamente sincero. Colocaram minha capacidade de amar em prova e isso me alarmou. Naquele dia, eu olhei para o céu que é divinamente bonito nos fins de tarde de Brasília e pensei que poderia haver algo ali. Por um momento pensei em minha avó e na fé desesperada que ela tinha em Deus e na capacidade que esse Deus tinha de melhorar nossas vidas. Eu olhei para o céu e fiquei esperando por essa capacidade. Mas o sol me cegou e eu me senti tragicômica. Porque faz exatamente seis anos que não tomo sorvete de chiclete. E então eu sorri, para a minha avó, para o meu sorvete e para a certeza que, mesmo racional assim, não existe ninguém nesse mundo que seja mais capaz de amar do que eu.