27 abril 2008

O Sacrifício.

(sa.cri.fí.ci.o) sm.1 Ação ou resultado de sacrificar(-se). 2 Oferenda aos deuses. 3 Rel. A missa. 4 Renúncia voluntária a favor de um ideal ou de uma pessoa: “Lá vai para frente/ o que se oferece/ para o sacrifício/ na causa que serve.”(Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência). 5 Tarefa desagradável que se deve realizar.

Eu não sei se eu sou muito cruel, chata, egoísta e acomodada ou se é mais fácil para você dizer que sou tudo isso e poder justificar o afastamento do afeto que me dava e que hoje me ponho a duvidar se chegou um dia a existir. Fui sempre um sacrifício? Ponho-me a duvidar se algum dia eu já tive motivo para me orgulhar de você, já que você acha que mereço tão pouco. A importância é dada a outrem e antes que eu me magoe sem ter cura, eu preciso ir. Longe dessas disputas de atenção com um ser banal que foi imposto ao meu convívio.

Odeio julgar e ser julgada (peço desculpas se me traí agora, julgando talvez de forma errada). Devido a sua importância é difícil criar um veredicto para mim, para você e para nós dois. É que eu te amo tanto e fiz de um tudo para ser isso tudo que você quer ver em mim e principalmente, ser isso tudo que você quer mostrar que eu sou. Tem sido impossível para mim ouvir suas críticas em forma de lista. Elas acabam comigo sem acabar. É um estoque incrível que eu nunca pensei que seria capaz de ouvir.

Eu odeio todas as horas que temos passado juntos e em companhia de outrem. As de paz me parecem de hipocrisia, para que os outros pensem que está tudo bem. Enquanto para mim, vai assim, tudo tão mal. Já desenhei o caminho da minha forca. Só conseguirei escapar dela se me afastar de você. Você volta quando quiser e se quiser. Volta a ser o que era antes.

Nunca pensei que a proteção iria acabar, nunca pensei que exigi-la poderia ser entendido como egoísmo. Eu achava que ela era natural e que não era sacrifício algum, para ninguém. Talvez eu esteja enganada, mas vou livrar-me dela e pronto, pode ficar bem feliz. Desisto de ver essa sua crise de meia-idade que só me faz mal. Pode correr atrás de uma juventude perdida. Pode se enganar dando espaço para a juventude dos outros. Pode dar à cara a tapa para uma mão mais jovem que a sua. Eu guardo a minha mão para o afago que você vai precisar quando esta historinha acabar. Porque eu vou me manter nos bastidores, sem força para te dar beijinho de boa sorte. Eu não tenho força para assistir nenhum declínio. O declínio dos outros sempre me entorta também e o seu seria capaz de me levar ao chão. Cai chão. Caixão. Você volta quando quiser e se quiser. Volta a ser o que era antes, porque essa minha mão só afaga e não apedreja, pelo menos não a você.
“Mas eu não caio do salto, não brigo e não falto com a minha verdade.
Sinceridade, sai que a fila tem que andar!”