12 fevereiro 2010

Luz de Inverno

Hoje compreendi toda a minha dor, minha desordem, minha indiferença. Hoje me vi em um reflexo e no silêncio como mais uma humana revoltada, cheia de náusea. Entendi, finalmente, o que me faz infeliz e porque essa infelicidade jamais me abandonará. 
Eu, como Cristo, sofro do maior mal de todos os tempos: a Dúvida. Que me impede de ver bondade na solidariedade e faz com que eu enxergue apenas egoísmo e frieza. Não é mesmo verdade que as pessoas fazem o bem para livrarem-se do inferno? E Cristo, na sua máxima dor, duvidou do poder onipresente e absoluto de Deus. E eu, na minha máxima dor, duvido diariamente dessa febre e dessa doença chamada fé. 
De uma coisa eu sei, a dor física em nada se compara com o abandono. Estar só e ter consciência disso, é como não possuir o anti-reflexo que te faz retirar a mão da panela quente. É queimar-se voluntariamente, simplesmente porque não há outra opção. 
Desamparada, servidora de um Deus ou lamentavelmente fraco ou indubitavelmente sádico, prefiro me flagelar com os dias banais e perceber que no inferno eu já tenho os dois pés cravados. Porque o inferno é isso aqui e o silêncio de Deus é eterno. Eterno como a apatia dos pobres que não se interessam pela revolução, como a ignorância dos fiéis que fazem questão de serem cordeiros, como a indiferença da burguesia frente ao mundo deteriorado.


Se Deus está no amor, o amor não está em Deus. Não há Deus algum em mim. Já o amor... bom, tenho amor em todos os meus poros.

Para Bergman, 
com carinho.