12 fevereiro 2012
Românticos Anônimos
Uma película sobre amor. Um casal com uma patologia chamada timidez. Você sentou-se ao meu lado. Nós rimos juntos, a risada do outro completando a própria. Rir junto também pode ser confundido com amor. Uma respiração pausada, barulhenta e embriagante. Goles grossos de água mineral. No canto do olho te via em contornos perfeitos. Ficando emocionada com o filme, cada vez me parecia que a sua presença era uma certeza. Projetei você na tela e também ao meu lado e nossa patológica timidez estava em todo lugar. Já é um novo ano, mas você continua me aparecendo em Iuris, e Pedros e Victors que se aproximam de mim. Só o que não vem é o você real.
- Olá, meu nome é Dandara, emotiva.
- Bem vinda, Dandara.
- Eu provavelmente sofro do mesmo mal que todos vocês. Sou uma romântica inveterada, quase enferma.
Vejo amor onde não há, sinto amor onde sentimentos não deveriam chegar. O respiro, o pressinto, o conjungo em silêncio na minha mente. E ainda assim, o acho estranho, como um parasita que insiste em morar dentro de mim. Tento expulsá-lo, praguejá-lo, mas ele sempre volta. É a linha tênue que me faz diferente dos demais, e ao mesmo tempo o meu maior pesadelo que me faz idêntica ao mais vulgar dos seres humanos. Me enobrece e me escarneia, enquanto sou princesa sentindo-o tomar conta de mim, também sou mendiga na sarjeta, sem ter para onde ir e sem ter vindo de lugar algum. Uma sombra. Um suspiro quente ou uma gota de suor gelada. Sou quase nada, exatamente por amar demais.
Foto: #amoresanônimos, uma hashtag amorosa que reúne fotos de pessoas apaixonadas.
