Não quero ser aquela a quem são destinadas todas as críticas. Quando escolhi a minha profissão quis, dentro de mim, percorrer caminhos mais políticos e que mudassem alguém em seu conceito absoluto sobre o mundo. Não gosto de conceitos absolutos, e principalmente, não os procuro entender. Para mim, beber cerveja e conversar sobre questões existências é uma diversão afora do comum, enquanto, beber cerveja e falar sobre absolutamente nada é igualmente divertido. Questões existenciais são totalmente subjetivas e quem sou eu para julgar motivos de um ou outro indivíduo? Já a diversão deve atingir a todos de forma mais ou menos reflexível. Pois até mesmo na diversão existe a marginalização e a estupidez, infelizmente.
No entanto, trago dentro de mim uma idéia utópica de que o mundo é um só e que o ser humano divide um espaço com outros milhares de microorganismos, sem ser mais ou menos importante do que eles. Não quero, dessa forma, aparentar ser aquilo que não sou. Deixo claro que gosto de água potável e que agradeço por ter um jeans testado e colorido de forma diferenciada. Em nenhum momento minhas vontades ou preferências mudaram em mim o mundo que desejo construir. Pois, ao mesmo tempo, agradeceria ainda mais se todos tivessem água potável e jeans diferenciado em suas casas. Quero dizer que não me sinto melhor ou pior que ninguém para julgar os motivos de ninguém. Não é porque eu não acredito em milagres que eles não existam de fato, não quero entrar nessas questões. Quem me dera ter o poder de aniquilar todas as coisas em que não acredito. No entanto, meu ponto de vista é muito mais singelo e com certeza, muito menos importante.
Eu acredito no bem-estar geral, na solidariedade entre os seres vivos, na cultura como forma de fuga ao sistema, no amor como forma de fuga ao suicídio, na amizade como forma de fuga à loucura. Eu acredito na fuga HUMANA e dessa forma, acredito em sua fé. Fé no que é bom e não no que é hipócrita. O bom subjetivo, pois não acredito no bem absoluto. Eu acredito nas coisas que tem que ser vivenciadas e ouvidas, acredito no crescimento de cada um e que, aqueles que permanecem imaturos, não sabem existir. Acredito que a existência tem de ser dolorosa e contrária a nossa visão do mundo, pois seria demasiado fácil viver sem enganos e logo, demasiado inútil. Eu não dou nenhum valor às coisas inúteis, não gosto daquilo que não eleva o meu conhecimento, não gosto daquilo que não cria no meu âmago sensações as quais ninguém consegue explicar.
Para mim o renascimento é arte porque, diante de tanta técnica eu me sinto uma formiga e ao me sentir formiga eu me ponho no meu lugar. Não me sinto a dona do mundo e muito menos, não me sinto privilegiada na escala evolutiva. É uma questão pessoal em que eu não teria a prepotência de impor a ninguém, apesar de me agradar a idéia de que todos se sentissem mais vivos ao constatar que a arte é magnânima ainda mais do que “Deus”. Pois a arte é maior do que qualquer expressão divina, a arte é uma manifestação feita por pessoas tão ou quase iguais a mim, tão ou quase iguais a você, que superaram seus limites para realizar o inimaginável e expor o melhor de si mesmas. A arte é melhor do que qualquer tentativa de se ser, de não ser ou de indiferença ao ser (perdoem-me a cacofonia). A arte é o que me faz acreditar que o bem e o mal, esta dentro de nós mesmos e que ambos tem o mesmo poder dentro das nossas opções pessoais. E em ‘pessoais’ eu apresento o único e onipresente milagre, o fato de serem as suas opções que fazem quem você é e as minhas fazerem aquilo que sou. As minhas opções não precisam ser julgadas pelas suas e muito menos o contrário.
Resumindo, não me sinto justa comigo mesma recorrendo a motivos dos outros ao invés dos meus. Quero deixar claro que, quando a existência de algo ou alguém me magoa eu tento de alguma forma modificar essa existência sem me sentir maior do que aquilo que sou, ou seja, mera formiga. Ao criticar o que não concordo, não é de forma alguma resposta a minha prepotência, que de antemão afirmo que existe, mas resposta a minha visão de mundo e logo, a minha visão de paz. E é pela paixão pela paz e pela ‘existência’ que não consigo nem por mais um segundo permanecer calada frente aquilo que para mim é inaceitável.
Desculpe mas logo vou desabafar e me perdoe às criticas que reservo a você. Você que não apresenta nenhuma vontade de querer ouvir críticas e muito menos as minhas. Você que tem espaço no meu peito porém não tem espaço na minha compreensão. Você que faz questão da minha aversão cada dia mais, pela simples vontade de querer ser o umbigo do mundo. Desculpe, mas eu não posso aceitar isso.