01 junho 2009

Do ego, um desabafo.


É uma pena que, para mim, o grandioso alheio pareça tão pequenino. Sortudos vocês que se convencem da validez disso que chamam de vida, ou de amor, ou de amizade. E que me entendam, eu também sou feliz - com o pé no chão de dar o nome correto a cada coisa. Desconfio dos sorrisos em demasia, ou do jeito carinhoso que amantes se tratam, ou de palavras que me fazem ouvir. Eu desconfio de vocês todos e de todos os relacionamentos do mundo. É dessa suspeita que me saio bem tanto nos dias alegres como nos lamentáveis. Não há nada que me surpreenda e há nada devo explicações. Pretendo continuar assim, independente do que digam, ou das transformações que aconteçam, ou do fim dos tempos e aquela bobagem toda que passa no History Chanel.

As duas personagens que existem em mim formam um alguém mais preparado do que esse com a experiência de quase meio século de vida que você é. Orgulho-me e me lamento todos os dias por ser quem és e amar quem amas, da forma como amas. As duas que existem em mim entram em sintonia quando decidem, juntas, a deixar a vida tomar o curso que deva tomar: a sua e a dos outros, pois a minha vai bem, obrigada. Respeito as culturas que cultivam o conhecimento dos mais velhos, mas respeito ainda mais a cultura de hoje, que entende que o vazio da era pós-industrial e a solidão do mundo midiático transformou os mais sábios em pessoas com carências afetivas e existenciais. É assim que te enxergo sem diminuir nem um pouco o respeito que sinto por ti. Só gostaria que entendesse que seu trabalho em mim acabou, já não ouço mais as suas preocupações como se elas devessem ditar a pessoa que sou, pois elas não me impedem de fazer absolutamente nada. Contra isso, não há o que fazer. Da ambigüidade que existe em minha personalidade, nasceu um ser humilde, solidário e feliz, porém desconfiado, independente e orgulhoso.

E isso é tudo. Não há o que temer. Não sou uma suicida em potencial, não terei uma overdose por vazio ideológico, não me excluo da sociedade. Pelo contrário, acho mesmo que a sociedade precisa de mais pessoas como eu e dessa modéstia nasce minha sede de vida, de conhecimento, de ultrapassar a divindade, de transformar mentes e comportamentos. Eu acredito em mim e no meu potencial acima de todas as coisas e acredito mesmo que o mundo deveria girar ao meu redor, pois esse é o único sentido certo para ele. Deixe que o mundo me convença de que eu preciso das palavras hostis, mas seja solidário as minhas certezas juvenis, sem imposições. Eu te conto tudo, quando eu quiser contar.