Eu queria escrever sobre qualquer coisa, mas isso é mais complicado do que escrever sobre um assunto específico. Pois o “qualquer coisa” leva diferentes nomes de acordo com a particularidade de cada um. Particularidade é uma palavra bonita para designar “desgraça pessoal”. Minha desgraça pessoal tem muitos poréns, porque no fundo eu sou feliz de um jeito irritante. Porque entre a felicidade irritante e a minha particularidade, eu prefiro comprar problemas e me envolver com eles. A gente só se envolve com o que compra e só te oferecem coisas para comprar depois que compreendem a imagem que você vende. Viver é isso: troca-troca, sem eufemismos safados. Quando parecemos dispostos, encontramos pessoas dispostas e algo sobre “estar aberta”, sem eufemismos safados mesmo, e um papo de universo conspirando que ouvimos por aí. Tudo besteira, completa e absoluta besteira. Coisa de gente otimista - como me irritam. Porque um dia, por mais disposta, aberta e afim de troca-troca que você esteja, te jogam “qualquer coisa” na cara e o que te sobra é fugir. Acaba sendo melhor viver sua particularidade do que soma-la ao dos outros. E esse egoísmo é o meu punctum, meu “qualquer coisa” de hoje.