06 abril 2010

La mort, La bête, L'absence

Morrer congelado. Contraposição ao medo profundo de morrer confortável, desse jeito burguês, na poltrona da sala, de barriga pra cima. Morrer congelado. Enquanto se é escravizado ao dia a dia de um inútil, nesse fordismo que nem se sabe mais onde se encontra o seu trabalho, o seu suor, o seu punctum. Morrer congelado. No deserto que é tão frio à noite que a própria saliva vira granizo e arranha as entranhas de quem ama com pavor, de quem geme com vergonha, de quem grita sem ter voz. Morrer congelado. Entrelaçado a cobertores cheios de ácaros do mau hábito apertado de viver sem organização. Morrer congelado. Sem os afagos tão quentes, tão mornos, tão seus. Morrer congelado. Sentindo o sangue expandido, as lágrimas partindo as retinas expostas ao terror. De morrer congelado.