12 abril 2010

Por Zeus, por Ísis e por Odin

"Só o que sonhamos é o que verdadeiramente somos, porque o mais, por estar realizado, pertence ao mundo e a toda a gente. Se realizasse algum sonho, teria ciúmes dele, pois me haveria traído com o ter-se deixado realizar. Realizei tudo quanto quis, diz o débil, e é mentira; a verdade é que sonhou profeticamente tudo quanto a vida realizou dele. Nada realizamos. A vida atira-nos como uma pedra, e nós vamos dizendo no ar 'Aqui me vou mexendo'."
Pessoa,
pois com toda razão. 
Que finita seria eu se todos os meus sonhos fossem realizáveis, que me tornam possível exatamente por jamais passarem na cabeça de outro alguém. Que finda de histórias estaria eu, se não pudesse sonhar com um "te amo" todos os dias. Sabendo ao certo que sua materialização em sons, seria nada mais do que vida realizada em mim, bem distante daquilo que desejei. E eu seria a escolhida, a caça, a pedra a rolar no morro de Sisífo.  
Não é sonho em brasa o que vê em meus olhos, vez sim e vez não? Que desse talvez me passem os dias. Sem saber ao certo o que qualquer coisa significaria e como poderia ser diferente, que essa palavra é tola ao som massacrante do relógio.  
Sonha comigo que a vida vai passar em nós também.