Você não poderia dizer “Vem. Vem que eu te quero fraca”. Você não me quer assim, não suporta me ver perguntando o que devo fazer. Ver-me pedindo por ajuda te enoja. Você me quer madura, pronta pro mundo, com as garras de fora, o sarcasmo afiado. Você me quer inteira, tem preguiça de colher os meus pedaços por aí.
Você ri e desdenha das minhas dúvidas e meus receios. Meu medo, meu supremo e absoluto medo, você não o compreende. Acredita ser infantil esse pavor que passa por meus olhos antes da madrugada me seduzir. Você não compreende.
Você tem razão. Está entendendo? Você é o dono da razão. Pois tudo aquilo que começa doloroso, há de acabar em sanatório. E eu, fraca assim, só te trarei decepção. Reclamando do barulho do relógio, da ventania de agosto, do café gelado e principalmente, de você.
E quando eu me curasse, você diria “Vem. Vem que eu te quero forte”. Mas então eu responderia, “Agora é tarde, ta lindo lá fora”.
Eu não vou mais sangrar perto de ti.
