12 agosto 2013

A ferida que sangra por nós

Coçar e abrir as próprias feridas é absolutamente banal. Eu te disse isso um dia, quando perguntou dos machucados nas minhas cutículas. Eu disse que é um comportamento natural. Mas você jurou nunca arrancar a casca dos seus machucados. Afora você, as crianças de todo o mundo fazem e procuram as mães quando a carne, fresca carne, aparece vermelha e sangrenta. Dizem para as mães que não fizeram por mal, que não sabiam que iria arder tanto. No entanto, no próximo machucado ou picada de mosquito, coçam novamente. Abrem novamente. Contemplam a ardência e se arrepiam por conta dela. Um comportamento que levamos para a vida adulta.

Este singelo ato masoquista piora veementemente quando assumimos para o outro as nossas fraquezas. Afinal, o outro passa a ter o poder de abrir novas feridas em nós, por sadismo, simples conveniência e/ou vaidade. Causamos a dor para nos sentirmos capazes de causar a dor. Ver a ferida que causamos no outro coçar faz com que sintamos uma ponta de excitação. É uma ferida que sangra por nós. Desespera-me saber que nunca alcançarei esse sentimento se continuar ao seu lado, pelo simples fato de que você não coça as suas feridas. Logo, a cicatrização de qualquer mal que eu seja capaz de te causar será muito mais rápida do que a cura dos males que você me causar. Um erro de cálculo que eu deveria ter percebido antes, meu bem.