Colocaram uma bomba na minha cabeça. A boa notícia é que ela não causa enxaqueca, nem por um dia. Às vezes, muito pelo contrário, faz com que eu tenha ainda mais clareza para viver. Ela não tem um cronômetro e nem tem fios verdes e vermelhos. Isso me faz pensar, em meio à um suor gelado e amedrontador, que talvez ela também não possa ser desligada. Não dá pra chamar um conhecedor de bombas, ou sabe-se lá qual o nome deste profissional, para apertar um botão ou desabilitar alguma coisa arrancando de mim essa ansiedade sem fim. Essa espera. O que se pode fazer, apenas, é esperar o dia, fatídico dia, em que ela explodirá e com ela cada fragmento de conhecimento ou inutilidade guardado em minha caixola voará pelos ares.
Li em algum lugar, ou vi, ou ouvi, sabe-se lá, que a espera é a pior sensação possível. É pior do que a dor. Você sabe que a dor acabará ou então você morre. E você também sabe que a vida acabará, portanto morrer não é o pior dos quadros. Enquanto isso, a espera não tem prazo de validade. Ela apenas enebria e escraviza. Esperar é como se viciar. Sentimos que, assim que ela acabar, a vida valerá a pena novamente. Abraçamos a espera e a chamamos de esperança. Esperar é pior do que morrer e viver esperando é tudo o que nos sobra quando já estamos sem motivos.