29 abril 2009

É tempo de barrigudas.

Permito, pois, que reserves a mim todas as críticas. Mas jamais, e eu digo jamais nesse sentido folgado que jamais possa ter, poderá reclamar de que não fui amiga o suficiente ou que não te dei espaço para acompanhar essas mudanças que ocorrem dentro de mim. Pois mudanças ocorrem sempre, nós nos rebaixamos à elas apenas se quisermos. Se eu mudar, quero você ao meu lado, e se você não conseguir entender a dimensão de tudo isso, é melhor mesmo que você perca a imagem de mim que você carrega em você. Assim, poderemos construir uma nova imagem, que deixe claro que o tempo nos muda, mas que juntas podemos mudar o tempo.

Continue aqui que eu te mostro que a beleza de conversar sem palavras permanece entre nós e sempre permanecerá. Não acredito que com você a lei do “tudo passa” fará algum sentido. Eu não poderia passar por nada, nem ninguém, nem momento sem você. Sou viciada em você. Continue aqui que eu vou corrigi-la, com aquele meu jeito. Pois não são ipês que você tem admirado, são “barrigudas”. São árvores parecidas, porém, não são iguais. O tempo de ipês já passou, mas o nosso não passará nunca. Continue aqui que passaremos por ipês e barrigudas, todos os anos, construindo novas imagens de nós duas e carregando, guardado no peito, a mesma impressão de beber cerveja pela primeira vez. Continue aqui que nós passamos por essa fase, querida.