Acho que cansei (e digo que acho porque não cometo mais o engano de usar afirmações). A verdade é que não sinto sua falta aos domingos, não procuro saber por onde anda e não te encontro nos meus desvarios. Sua ausência (ou presença) passa batida a minha percepção. O mundo gira feito peão de madeira que meu primo Jorge colecionava e da minha janela o vento não grita seu nome. Acho que minha vontade adormeceu dentro de mim e ninguém, nem mesmo ‘deus’, sabe se ela acordará. Não enxergo mais aquela coisa que eu queria conquistar em você, não sobrou nada em você que eu queira guardar em minha memória, não tenho mais que te revirar para descobrir palavras não ditas, não te dedico músicas ou prosas. Tudo foi explícito demais. Mas eu continuo triste e mais ainda agora. Pois, de noite, em meu travesseiro, eu tinha o que murmurar e agora (que acho que te esqueci) eu adormeço feito criança em dia de visita ao zoológico. Como é chato acordar descansada e ter de viver o dia em seus mínimos detalhes sem nem ao menos uma razão para o meu mau humor.
Eu explico: gosto mesmo é de ter insônia, de sofrer descasos, de ver a chuva me atrapalhando as madrugadas, de ouvir os ‘nãos’ que a vida me reserva e quando vem essa calmaria eu perco aquilo que me faz humana. Pois sofro sem razão e não há nada mais doloroso do que não nomear a dor que carregamos no peito. Logo encontro outro motivo para sentir um penar mais sôfrego e então a vida será em prosa novamente.
Eu explico: gosto mesmo é de ter insônia, de sofrer descasos, de ver a chuva me atrapalhando as madrugadas, de ouvir os ‘nãos’ que a vida me reserva e quando vem essa calmaria eu perco aquilo que me faz humana. Pois sofro sem razão e não há nada mais doloroso do que não nomear a dor que carregamos no peito. Logo encontro outro motivo para sentir um penar mais sôfrego e então a vida será em prosa novamente.