Fui, entre sorrisos e lágrimas, me esconder em outras bocas. Assim, como que brincando com os dias, te esqueci entre as feridas mal curadas do meu ego. Digo sem total convicção, mas ainda assim o digo:
- Vai-te embora, vai-te mesmo, pois eu não entendo nada de amor.
Eu quero arrastar sozinha todo o caminho e quero continuar com a razão invicta porque é assim que os meus méritos hão de surgir. Ninguém usa o amor como troféu. Caso contrário não seria amor e sim outra coisa qualquer parecida com surpresa de menino frente a eco gigante. Nome: amadorismo.
Pois eu gosto mesmo é de ter o que contar. Bebendo os meus goles cumpridos, conto pro mundo das coisas que tenho empilhado e dou sorrisos de moça vivida ou vívida, dependendo da sua linha de entendimento. Ah, e de minhas histórias surgem os frutos para as palavras que se desdobram e escrevo sem receio porquê foda-se se o mundo acabar amanhã. Bem sei que perderia o ‘foda-se’ e o trocaria pela foda acaso o amor batesse a minha porta. Que me perdoem o jeito de moça desbocada, é que não possuo aquilo a que meu pai chama de encanto, mas porque, conscientemente, não quero mesmo encantar a ninguém. Sou pró foda-se à cima de todas as coisas e devo ser a única, pois continuo só.
Discordo do pacto silencioso de cultivar a estupidez, pois cometo, com prazer, a gafe de falar sobre artes, filosofia e política. Quase gozo quando a mim me destinam atenção e só não o confundo com o amor porque aprendi, com os meus livros, que amor acompanha aquele sentimentozinho de posse e nunca que eu quis possuir ninguém. Que fardo seria! No entanto, que possessiva que sou e como que gosto de ser a preferida do mundo e como que gosto quando sou possuída, pois tão rápido passa.
Isso de gostar de ser ouvida já é indício de desvio de conduta, pois como dizia a minha avó, “boa moça é aquela que sabe ser calada e ao mesmo tempo sabe ser obedecida”. Era feminista e não sabia, a minha avó. Meu avô, por esse ou outro motivo, gastava toda a sua aposentadoria em chocolates Lancy para a mulher diabética e eles comiam escondidos na área ou no quintal. A isso dou o nome amor e que ‘deus’ ou a minha memória os tenha, benditos foram.
Lembro-me, que sem pausas, eu gastava horas a fio contando pro meu avô como que fora o meu dia e eu, por assim dizer, fui a única moça vívida, desbocada e faladeira que ele amou. Minha avó era de uma mudez sincera e nunca que a vi chorar. Aquela fineza me machucava feio. Depois de tantos anos de saudade eu aprendi que amor não é aos gritos, mas na pergunta fácil:
- Você prefere pão de queijo ou biscoito de polvilho, minha filha?
- Eu prefiro o biscoito vó.
E lá ia ela queimar-se no olho quente, na cozinha em que criança não pisava, mas que tinha aquele cheiro mineiro que nunca mais vou sentir. A isso também dou o nome de amor.
Ao fato de te deixar partir, dou o nome de cansaço e digo com convicção:
- Vai-te embora, vai-te mesmo, pois eu não entendo nada de persistência.
Só para constar: eu nunca mais na minha vida espero por você novamente e eu nunca mais na minha vida conto pra outro alguém as coisas que confiei a você. Mais uma vez eu vou fugir para onde o ‘foda-se’ não me magoe tanto e quando eu voltar nós não vamos nem mais sentir essa pedra que colocamos entre nós. Não vai mais me doer seus três, quatro ou sete meses. Não vai mais me abalar a casa vazia e eu não vou me embebedar pois sua presença nem vou sentir.
Eu nunca que quis te possuir, pois ah, como seria fácil viver.
- Vai-te embora, vai-te mesmo, pois eu não entendo nada de amor.
Eu quero arrastar sozinha todo o caminho e quero continuar com a razão invicta porque é assim que os meus méritos hão de surgir. Ninguém usa o amor como troféu. Caso contrário não seria amor e sim outra coisa qualquer parecida com surpresa de menino frente a eco gigante. Nome: amadorismo.
Pois eu gosto mesmo é de ter o que contar. Bebendo os meus goles cumpridos, conto pro mundo das coisas que tenho empilhado e dou sorrisos de moça vivida ou vívida, dependendo da sua linha de entendimento. Ah, e de minhas histórias surgem os frutos para as palavras que se desdobram e escrevo sem receio porquê foda-se se o mundo acabar amanhã. Bem sei que perderia o ‘foda-se’ e o trocaria pela foda acaso o amor batesse a minha porta. Que me perdoem o jeito de moça desbocada, é que não possuo aquilo a que meu pai chama de encanto, mas porque, conscientemente, não quero mesmo encantar a ninguém. Sou pró foda-se à cima de todas as coisas e devo ser a única, pois continuo só.
Discordo do pacto silencioso de cultivar a estupidez, pois cometo, com prazer, a gafe de falar sobre artes, filosofia e política. Quase gozo quando a mim me destinam atenção e só não o confundo com o amor porque aprendi, com os meus livros, que amor acompanha aquele sentimentozinho de posse e nunca que eu quis possuir ninguém. Que fardo seria! No entanto, que possessiva que sou e como que gosto de ser a preferida do mundo e como que gosto quando sou possuída, pois tão rápido passa.
Isso de gostar de ser ouvida já é indício de desvio de conduta, pois como dizia a minha avó, “boa moça é aquela que sabe ser calada e ao mesmo tempo sabe ser obedecida”. Era feminista e não sabia, a minha avó. Meu avô, por esse ou outro motivo, gastava toda a sua aposentadoria em chocolates Lancy para a mulher diabética e eles comiam escondidos na área ou no quintal. A isso dou o nome amor e que ‘deus’ ou a minha memória os tenha, benditos foram.
Lembro-me, que sem pausas, eu gastava horas a fio contando pro meu avô como que fora o meu dia e eu, por assim dizer, fui a única moça vívida, desbocada e faladeira que ele amou. Minha avó era de uma mudez sincera e nunca que a vi chorar. Aquela fineza me machucava feio. Depois de tantos anos de saudade eu aprendi que amor não é aos gritos, mas na pergunta fácil:
- Você prefere pão de queijo ou biscoito de polvilho, minha filha?
- Eu prefiro o biscoito vó.
E lá ia ela queimar-se no olho quente, na cozinha em que criança não pisava, mas que tinha aquele cheiro mineiro que nunca mais vou sentir. A isso também dou o nome de amor.
Ao fato de te deixar partir, dou o nome de cansaço e digo com convicção:
- Vai-te embora, vai-te mesmo, pois eu não entendo nada de persistência.
Só para constar: eu nunca mais na minha vida espero por você novamente e eu nunca mais na minha vida conto pra outro alguém as coisas que confiei a você. Mais uma vez eu vou fugir para onde o ‘foda-se’ não me magoe tanto e quando eu voltar nós não vamos nem mais sentir essa pedra que colocamos entre nós. Não vai mais me doer seus três, quatro ou sete meses. Não vai mais me abalar a casa vazia e eu não vou me embebedar pois sua presença nem vou sentir.
Eu nunca que quis te possuir, pois ah, como seria fácil viver.