Um ano sem espetáculo. Escolhi uma profissão, alcancei a maior-idade, me apaixonei e desencantei, fiz novos vícios, perdi amizades, ganhei algumas, permaneci a mesma. Cansada e calada, Dandara.
No escuro invento histórias e memórias que esqueço de escrever. Dou nome a amores não encontrados e os que perdi não possuem sobrenome. O que eu queria não corro atrás e a vida se prolonga. Para brincar com minha fúria continuo a existir, entre as frases não ditas e os meus pais com suas vidas. Invento motivos para brindes alcoólatras e todo dia é dia de bar. Estraguei os meus sonhos, decapitei minhas vontades e psicólogos diriam que é culpa da fase oral. Minha mãe não acredita em culpa, em matrimônio, em bissexualidade, em fé e eu ainda não me decidi se concordo com ela ou não. Primo pela liberdade, igualdade e condeno à morte a propriedade privada. Pois ter não tem relação com o direito de ir e vir. Não me venham condenando minhas vontades e dando o nome de utopia porque engano seria permanecer calada, com os olhos vermelhos e um pito de cigarro fedendo entre os meus dedos. Afinal, como fede a nicotina e como fede não conseguir largá-la e como fede essa juventude apática. Como fico bêbada quando não há com quem conversar e hoje nada há. Quer me ver sofrer? É só dizer que votou nulo, que Interpol é imitação de Joy Division, que Machado de Assis é chato e que eu sou ingênua demais.
Sinto saudades. É tudo. Não quero mais fazer sentido, pois quanto tempo perdi sendo Dandara. Também odeio pessoas que falam sobre si mesmas em terceira pessoa, mas vocês que me perdoem, pois quanto tempo perdi tentando escrever de um jeito tragável e como traguei enquanto escrevia dessa forma desprezível. Pior de tudo, como que pensei em me mudar só pra que me chamassem de ‘meu bem’? Hoje, desprezo por demais os motivos que levam seres razoáveis a referir-se uns aos outros como ‘xuxu’, ‘neném’, ‘benzinho’, ‘tchuco’, ‘querida’. É como se perdessem aquilo que os faz humanos e se tornassem alvo do capitalismo que cria datas como Natal e dia dos namorados. Já é quase Natal nesse ano sem espetáculo e eu odeio 24 de dezembro.
Quero Janeiro por demais.
No escuro invento histórias e memórias que esqueço de escrever. Dou nome a amores não encontrados e os que perdi não possuem sobrenome. O que eu queria não corro atrás e a vida se prolonga. Para brincar com minha fúria continuo a existir, entre as frases não ditas e os meus pais com suas vidas. Invento motivos para brindes alcoólatras e todo dia é dia de bar. Estraguei os meus sonhos, decapitei minhas vontades e psicólogos diriam que é culpa da fase oral. Minha mãe não acredita em culpa, em matrimônio, em bissexualidade, em fé e eu ainda não me decidi se concordo com ela ou não. Primo pela liberdade, igualdade e condeno à morte a propriedade privada. Pois ter não tem relação com o direito de ir e vir. Não me venham condenando minhas vontades e dando o nome de utopia porque engano seria permanecer calada, com os olhos vermelhos e um pito de cigarro fedendo entre os meus dedos. Afinal, como fede a nicotina e como fede não conseguir largá-la e como fede essa juventude apática. Como fico bêbada quando não há com quem conversar e hoje nada há. Quer me ver sofrer? É só dizer que votou nulo, que Interpol é imitação de Joy Division, que Machado de Assis é chato e que eu sou ingênua demais.
Sinto saudades. É tudo. Não quero mais fazer sentido, pois quanto tempo perdi sendo Dandara. Também odeio pessoas que falam sobre si mesmas em terceira pessoa, mas vocês que me perdoem, pois quanto tempo perdi tentando escrever de um jeito tragável e como traguei enquanto escrevia dessa forma desprezível. Pior de tudo, como que pensei em me mudar só pra que me chamassem de ‘meu bem’? Hoje, desprezo por demais os motivos que levam seres razoáveis a referir-se uns aos outros como ‘xuxu’, ‘neném’, ‘benzinho’, ‘tchuco’, ‘querida’. É como se perdessem aquilo que os faz humanos e se tornassem alvo do capitalismo que cria datas como Natal e dia dos namorados. Já é quase Natal nesse ano sem espetáculo e eu odeio 24 de dezembro.
Quero Janeiro por demais.