20 novembro 2008

Para Mª Fernanda

Transformações acontecem, querida. Ainda que sejam lentas, elas inundam vontades e transbordam nossas ilusões. Quando menos se espera o mundo saí de si mesmo e tudo perde sua essência. Caneta, porta-retrato, Papai Noel. Nada volta a acontecer e não se pode evitar o que há de ser. Têm de se ser.
E querida, existem direções para os seus assobios, mas o vento não vai querer te ajudar. O vento não espelha os odores que desejamos espelhar e não traz de longe o que nos falta na alma. Depois de uma certa idade já não faz mais sentido contar os passos e desenhar moinhos e Dom Quixotes. Existem relógios que não são elétricos e nem todas as pessoas são brancas do olho azul. Essa é a maravilha do mundo.
Pessoas nascem sabendo ser um só animal, não são como os pássaros que às vezes fingem ser gente. Dissimulados que são! Mas você vai ser o que quiser, vai ser várias e há tanto tempo em suas mãos. Querida, encarar pessoas é deselegante e dizer 'olá' não vai trazer ninguém para perto de você. Não se assuste! Você aprende... Envelhecer é uma arte, mas ser jovem é ainda mais difícil. É complicado descomplicar, pois a vida querida, é uma só.
O fim do mundo está dentro de você, querida. Saiba usá-lo quando lhe convir, mas saiba convir a quem lhe usar e saiba ser usada pelo fim do mundo. Coloca seu vestido rosa e sorri com todas as suas covinhas. Quero te abraçar tão forte, mostrar os parques e os calafrios do mundo moderno. Enrole os seus cabelos que eu estou chegando e não acenda ainda o pisca-pisca do Ricardo. O Natal dessa vez, não terá capitalistas de codinome 'bom-velinho'.