02 setembro 2008

As amargas, não - Avaro Moreyra.

“A graça da vida é não saber. Fica sereno quem arruma, com os entes e as coisas, o seu museu de encantamentos. Sem fichas. Nunca que eu quis explicações sobre o que estou sentindo. Vejo os meus sonhos. Ouço as minhas músicas. Ando pelos meus jardins. Dou a minha gulodice o prazer que ela me proporciona.
Estas mãos, tantas vezes pousadas em livros, em flores, em outros alimentos terrestres, continuam mãos abertas a todas as surpresas. Um dia, na praia, o cavalheiro erudito, indo até lá, como disse: ‘para sorver o ar isolado’, porque me encontrou adorando a cor do céu, logo se manifestou: - ‘Sabe por que é azul a cor do céu?’ - Confessei humilde: - ‘Não. E não me conte, pelo amor de Deus’”.