24 setembro 2008

O Pássaro.

Existia um pássaro que pensava que sabia voar. Ele não se lembrava de qual tinha sido a última vez em que suas asas desafiaram o sol. Há muito tempo que ele não batia as asas e já nem sabia se elas eram verdes com azul ou azuis com verde. Não havia espaço para abri-las dentro da gaiola. Ainda assim, gostava de contar sobre as vezes que se perdeu em imensidões de azul, dizia que a volta para o norte era melhor do que a ida para o sul e também que as nuvens não eram de algodão, mas eram ainda mais gostosas do que sorvete de frutas.

Era um pássaro muito vivido.

Um dia percebeu que já não podia suportar sua gaiola. Que gostava mais de dias claros do que de chaves de compromisso. Resolveu largar as chaves para encontrar todos os dias claros de diferentes lugares do mundo. Então, enquanto tentava fugir de sua gaiola, morreu sufocado em uma fenda que parecia maior do que de fato era.

A gaiola foi queimada, mas as chaves ainda existem, assim como os dias claros.