Eu temia meu orgulho, acreditando que seria ele o causador da destruição de tudo o que há de belo na vida. Eu temia minhas palavras entrecortadas, que viviam a assumir minha suprema liberdade e independência. Eu temia a mim e somente aos meus atos. Pois não contava com a covardia alheia, maior defeito do mundo.
Logo tu, Brutus, que me ouviu reclamar de como faltavam culhões no mundo, de como os homens são criados como maricas (Isso sem fazer nenhuma referência aos homossexuais. Porque, sinceramente, conheço homossexuais que são sete mil vezes mais homens do que esses desmembrados de masculinidade) e de como os desprezo. Logo tu, que sabia qual era o golpe final, aquele que mais me magoaria e que me afastaria, léguas e léguas a nos separar. Até tu, Brutus, resolves-te me envergonhar por ter acreditado, em um singelo momento, que poderia haver gente excepcional no mundo? Precisava, Brutus? Forçar sua presença sem razão e depois arrancá-la, impiedoso, como se não houvesse nenhuma conseqüência para seus atos. As músicas não tocam mais, os livros não são lidos e os filmes já não são vistos. O tempo, todo aquele tempo que gastamos, poeira de tempo! Ora Brutus, quanto esforço por tão pouco, quanta infantilidade. Sinceramente, pesavas mesmo que poderia destronar meu orgulho, apenas porque me viu volúvel? Apenas porque, por um momento, fui sua? Total e irracionalmente sua? Não compreendes Brutus, não compreendes.
Veja a sua volta Brutus, me diga o que mudou. Sinta o silêncio e depois me diga, vamos! Quem te ouvirá nas noites tardias? A quem poderá lamentar a ignorância de seus amigos, a forma como eles já não te completam? Quem te ligará de madrugada pra comentar um trecho de romance que você jamais lerá? Quem ouvirá sobre os seus sonhos e te apoiará nos fracassos? Quem? Com quem poderá se informar sobre os filmes que virão e sobre os imperdíveis do passado? Quem listará as melhores músicas, as fundamentais? Vamos, respire e me diga! Quem, nesse seu mundo medíocre, te ouvirá nas noites tardias?
Espero que o grito sufocado que andei a ouvir de ti não te mate, lentamente, levando o ar de seus pulmões. Carregando os segundos de vida, mantendo-o preso no silêncio. Espero que não sofras sozinho. Espero que se cure. Porque Brutus, nós somos diferentes. Eu não quero que definhes na minha frente e nem longe de mim. Aprendi a lição e isso não me mudará. Porque tenho pena Brutus, muita pena. Fico pensando que, quando a vida me espalmar com luvas (ou sem elas), eu poderei escrever, como sempre fiz. Poderei afastar as desgraças do mundo. Senti-las abandonando meus dedos, a medida que junto as palavras em uma folha de papel. Eu tenho minha terapia. Já você, você não tem nada, Brutus. Nada! Você não sabe ser verdadeiro com aqueles que se importam contigo, você não acredita em terapia, você não lê filosofia e você não escreve. O que será de ti?
Sugiro que arrume culhões Brutus, ou em breve, não existirá nem mesmo um gênero a que possa pertencer. Pois mulheres e homossexuais tem muito mais bolas do que você. E é lamentável.
