Eu acho que você não entende o que foi que me fez.
Ontem eu fui à terapia. Voltei para a terapia. Queria contar a ela que tinha retomado meus vícios. Disse a ela que precisaria deles em São Paulo. Porque eles me permitem ser alguém que não sou. Ela perguntou “quem você é?”. Pateticamente, eu respondi “eu sou alguém triste”. E então, claro, ela quis saber o porquê. E eu disse “acho que é porque minha casa não tem janelas o suficiente”.
Provavelmente ela não esperava por essa reposta. Talvez muita gente diga que é triste. Ali, naquele mesmo divã. Aliás, devem ser todos tristes. No entanto, que covardia é essa de perguntar, para alguém que já recorre a um terapeuta, quem essa pessoa é? Que soco covarde é esse? Que tiro nas costas!
Fico pensando, toda vez que ela me olha com cara de compreensão que, na solidão da casa dela, ela deve bater mais siririca do que eu. Talvez naquele mesmo divã, algum dia ou de vez em quando.
Vai saber. “A gente nunca imagina a vida por detrás da página”. E nós não conhecemos ninguém de verdade. O mais normal é sempre o mais vadio, o mais safado, o mais promíscuo. Pelo menos, eu prefiro acreditar que toda pureza é mito e que toda normalidade é falsa. Terapia é o caralho.
Pensei em você naquela sala. Mas não falei sobre você. Não achei que merecia.
-
Estou ouvindo Gal agora. Nunca te perguntei se gostava de Gal e agora já não faz mais sentido. Mas é provável que goste. Eu nunca saberei.
Nós nunca saberemos.
Ontem eu fui à terapia. Voltei para a terapia. Queria contar a ela que tinha retomado meus vícios. Disse a ela que precisaria deles em São Paulo. Porque eles me permitem ser alguém que não sou. Ela perguntou “quem você é?”. Pateticamente, eu respondi “eu sou alguém triste”. E então, claro, ela quis saber o porquê. E eu disse “acho que é porque minha casa não tem janelas o suficiente”.
Provavelmente ela não esperava por essa reposta. Talvez muita gente diga que é triste. Ali, naquele mesmo divã. Aliás, devem ser todos tristes. No entanto, que covardia é essa de perguntar, para alguém que já recorre a um terapeuta, quem essa pessoa é? Que soco covarde é esse? Que tiro nas costas!
Fico pensando, toda vez que ela me olha com cara de compreensão que, na solidão da casa dela, ela deve bater mais siririca do que eu. Talvez naquele mesmo divã, algum dia ou de vez em quando.
Vai saber. “A gente nunca imagina a vida por detrás da página”. E nós não conhecemos ninguém de verdade. O mais normal é sempre o mais vadio, o mais safado, o mais promíscuo. Pelo menos, eu prefiro acreditar que toda pureza é mito e que toda normalidade é falsa. Terapia é o caralho.
Pensei em você naquela sala. Mas não falei sobre você. Não achei que merecia.
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Estou ouvindo Gal agora. Nunca te perguntei se gostava de Gal e agora já não faz mais sentido. Mas é provável que goste. Eu nunca saberei.
Nós nunca saberemos.