É raro que filmes façam retratos tão fiéis de mim a ponto de meus dedos sentirem o impulso para lamentar sobre o assunto. Hoje aconteceu.
Deitada na cama enorme, cama de pequeno-burguês, eu me vi sozinha, mais sozinha do que o normal e ainda por cima, com tesão por Caio Blat. Não é uma novidade. Caio Blat, para mim, sempre será Caio Blat. Mas desta vez foi o personagem, versão masculina de mim mesma, que me molhou inteira, por dentro e por fora.
Deitada na cama enorme, cama de pequeno-burguês, eu me vi sozinha, mais sozinha do que o normal e ainda por cima, com tesão por Caio Blat. Não é uma novidade. Caio Blat, para mim, sempre será Caio Blat. Mas desta vez foi o personagem, versão masculina de mim mesma, que me molhou inteira, por dentro e por fora.
Então é isso? Procuro, ao final, por mim mesma com um pênis? Com uma bunda redonda, uma barba por fazer e um vazio no bolso e no peito. É isso?
E por fim, eu concordo. Provável que aos 30 anos também não tenha realizado a mim mesma. Uma dessas pessoas que escorrega pela vida, que era promessa de tudo mas acabou por não fazer nada do que estava apta a fazer. Jogou os sonhos no lixo e fumou, e cheirou, e bebeu, e injetou todos os dons. Chorou as lágrimas mais sôfregas com a água da banheira entupindo os pulmões, o cheiro do gás entupindo as veias e o corte profundo levando o sangue embora. Mas no dia seguinte, permaneceu viva para escrever.
Escrever é um lixo. “Imagino mil histórias para todas as pessoas que vejo na rua. Mas acabo, por fim, sempre escrevendo sobre mim mesmo. E penso – quem é que vai querer ler algo sobre mim? A minha vida é uma bosta”, ou mais ou menos isso.
Diferente, no entanto, os meus ídolos nunca se mataram. Aceitaram a carne, o vício da esperança e entenderam o depois. São os homens revoltados, porém covardes. Homens ateus, com as calças borradas de tantos penachos, que falam as frases que mais me fazem sangrar e deliram com as drogas que esse mundo há de me proporcionar também, um dia. Quando toda a juventude já tiver me abandonado.
“Tem pessoas que simplesmente não sabem ser felizes”. Sim. Há frase semelhante também em Closer. Haverá a mesma sentença por todos os 365 dias do meu ano.
"A vida dura muito mais do que 90 minutos" e o amor nem isso consegue durar. Não para mim.
