Acordei fracassada. Está chovendo muito. Lá fora e aqui dentro de mim. Resolvi ficar em casa, precisava ficar em casa. Fiz um macarrão porque não havia mais nada para comer. Eu não sei cozinhar, mas ele ficou maravilhoso e agora não consigo comê-lo. Seria como um crime, apesar de estar com muita fome. Tentei assistir um filme, para ver se conseguia esquecê-lo. Aluguei um filme do Godard quando a locadora estava quase fechando. Não havia muitos filmes. “Domingo a noite está tudo alugado”, disse o atendente. Mas lá estava - meio escondido, meio esquecido - esse filme do Godard, “porque será que ninguém alugou esse filme?” eu pensei.
A Mônica queria ver o filme do Godard. Eu também, já que nunca tinha visto nenhum. A curiosidade me venceu e eu o aluguei. Após vinte minutos, ou menos, eu desisti. Percebi que se continuasse meu fracasso do dia aumentaria ainda mais. Vai à dica: nunca assista aos filmes do Godard enquanto não houver na sua vida um Eduardo para te levar a lanchonete.
Resolvi ouvir música para esquecer o maldito, mas delicioso, macarrão. Que eu fiz como há muito tempo não conseguia. Agora estou no computador, ouvindo Interpol. Desde que me convenci de que irei a Belo Horizonte em março, “somente... - disse ao meu pai - por causa do show deles”, tenho ouvido eles ainda mais, se isso é possível, do que ouvia antes. Mas esse último CD, Our Love to Admire, é mais triste do que todos os outros. Agora, consegue ser mais triste ainda, visto que estou só e com fome. Não será triste quando eu estiver com minha melhor amiga - maior de idade - pulando frente a frente a Paul Banks.
(VÍDEO) Pace is The Trick, vai a dica.
Acho que vou me render ao macarrão agora, depois voltarei a dormir, sem pensar no amanhã, que está quase a chegar e na noite de hoje, que ainda vai ser de fracasso.