O palco está escorregadio ou talvez seja nervosismo mesmo. É um ensaio demorado, enjoativo. Mas eu aguardo até o bafáfá da platéia chegando, se acomodando, reclamando do calor, da luz, da espera. Eu não gosto de ser decifrada, de ser surpreendida, de ser reparada. Não sei porque aceitei esse papel, mas sei que inconscientemente eu busquei por ele. Coadjuvante de mim mesma e ainda assim a incomodar, a sobresair, a intrometer-se no curso natural das coisas.
Desisto, o cenário é feio, a trilha me cansa e o roteiro não tem potencial. Vou-me embora. O espetáculo está cancelado, é que eu quero é vida, mundana e rácional. Não precisa ser de flores, não precisa ser de amores, só precisa deixar de ser ilusão. Papel da Outra, nunca mais, serei então Senhora de mim mesma.
Desisto, o cenário é feio, a trilha me cansa e o roteiro não tem potencial. Vou-me embora. O espetáculo está cancelado, é que eu quero é vida, mundana e rácional. Não precisa ser de flores, não precisa ser de amores, só precisa deixar de ser ilusão. Papel da Outra, nunca mais, serei então Senhora de mim mesma.

"Senhoras e senhores, podem buscar o dinheiro de seus ingressos no nossos caixas..." Ouvi de longe, mas nem olhei para trás.