Estou esperniando de cíumes, acho que até o vento se afastou da minha possessividade, não sopra aqui do meu lado e nem faz sereno. Esqueci o que é sossego. Minha alma está dilacerada, mas a culpa é minha amor, a culpa é minha.
Minha mãe disse que essa idéia de culpa não existe, que era para eu parar com essa mania de criar uma culpa para tudo.
-As vezes não há culpa. As coisas acontecem...
-Dessa vez, têm de haver, mãe. E tem que ser minha! Para esse cíumes poder ser doentio do jeito que é.
Como é possível tamanho sofrer caber num peito pequeno e apertado como o meu? Nem a solidão, única e passiva, me pertence. Não sei mais ser uma só. E não sei aceitar que os outros não queiram ser sós. Sempre aos pares, e de par em par vou me magoando. Eu não me divido e não me escancaro.
Sou (?) ímpar. Meu par perfeito é tão mal-me-quer que sinto cíumes do amor que não é meu e que não será. Jamais. Quero deixar claro o pesar que sinto pelas pessoas que só conseguem dedicar seu bendito amor a um só indíviduo, ou a si mesmo. Sinto pena. Não é julgamento, pobre de mim. Como poderia julgar sendo que consigo amar a tudo e todos, menos uma parte ínfima que poderia ser só minha?
Não sei amar aos bocadinhos, e é sempre tanto e muito, que havia de transbordar. Agora preciso de alguém que tenha sede. Alguém que não queira somente um fim de tarde de poesia, mas poesias todo dia a cada fim de tarde. Alguém que tenha o abraço largo, para todas as dúvidas e certezas que posso oferecer. Alguém que me pegue pela mão, mas que não tente me guiar. Alguém que esteja disposto a aguentar uma fonte que nunca vai secar.
Eu não sou impecável, intocável e insaciável. Quero provar pro mundo e curar o cíume e a beiradinha de inveja que está me tirando o sono e me amargurando mais a cada amanhecer.