15 outubro 2008

Entre cigarros, cafés e tulipas

Foi durante o último trago que eu comecei a dizer mil coisas. O que eu fazia, o que eu faria e que precisaria de companhia. Contei da piedade que eu merecia, mas que a vida fez do meu orgulho um guia e que agora eu já não sabia como amar.


Você sorriu, me beijou suave, desculpou-se pelo o mundo, tirou meu cabelo de trás da minha orelha e disse: “você merece um mundo de rosas” e deixou seu toco de carinho a queimar no cinzeiro. Eu acompanhei seu olhar até ele beirar a indiferença, foi então que escapuliu da minha boca um sonoro “não, porque eu me cansaria dos espinhos”.


Você levantou, foi ao balcão, pediu um café, voltou e pôs-se a mexê-lo. A me olhar e mexê-lo. O olhar foi ficando frio seguindo o ritmo de expresso curto. “Café gelado”, eu pensei. Você suspirou e disse: “Então, você merece um mundo de tulipas, não é?”. E eu, com o coração atingido, só consegui pensar que o que eu merecia era você. Mas eu lembrei de como isso te assustaria e me mantive calada com meu ‘sorriso de menina’, aquele de quando estou envergonhada e que você sempre elogia. Aquele que transparece o ‘eu te amo’ que não sai da minha boca e que você não está pronto para escutar.