Clarice tinha então 18 anos, mas há muito tempo ela já não possuía a leveza presente nessa fase ambígua da vida. Porque a muito se sentia mulher e pensava, com freqüência, que os seus dezoito anos tratavam-se apenas de uma obra mal feita do destino.
O seu caráter era incorrompível, raras as suas mudanças de opinião. Por esse motivo todos evitam gerar discussões com ela e ela preferia assim. Contentava-se em deixar claras as suas convicções, mas de modo certeiro, com ares decidido e ninguém nunca duvidava de que “Clarice estava certa”. Assim sendo, nunca era vista em confusões e curiosamente, era bastante procurada frente às dúvidas alheias. Sempre fora, aparentemente, uma pessoa de muitos amigos, mas em seu coração existiam poucos, bem poucos. A esses destinava uma devoção sobre-humana, mesmo tentando esconder isso. Porque, graças a um profundo sentimento de vazio, Clarice achava mais saudável não depender de ninguém. Sonhava com uma felicidade solitária, pois os solitários eram mais interessantes.
Vê-se logo que tudo mudou, como tinha que ser. Não graças a nenhum vício - mal da geração, mas a uma coisa mais complicada, intocável e intragável. Clarice se apaixonara e não compreendia o que aquilo significaria na sua rotina. Desde sua fase niilista, tinha se esquecido de que isso existia. Porque depois do niilismo vieram os outros homens revoltados e aos dezoito, bom, aos dezoito adotava um mix de descrença que eu, sinceramente, não sei ao certo se há corrente filosófica ou não. Por conta disso não sabia demonstrar seus sentimentos e continuava pregando sua solidão como única forma de existência. Foi tão convincente que deixou escapulir entre os seus dedos o seu objeto de admiração, pois de tanto medo ele fugiu para outra e a deixou com os seus livros hereges.
Hoje ela se diz agnóstica, não esconde mais suas afeições, apesar de continuar só. Hoje ela usa decotes, fuma Malboro dourado, embriaga-se com intenções vulgares e bebidas baratas. Para você ver como se enganar pode mudar uma quase-mulher.
O seu caráter era incorrompível, raras as suas mudanças de opinião. Por esse motivo todos evitam gerar discussões com ela e ela preferia assim. Contentava-se em deixar claras as suas convicções, mas de modo certeiro, com ares decidido e ninguém nunca duvidava de que “Clarice estava certa”. Assim sendo, nunca era vista em confusões e curiosamente, era bastante procurada frente às dúvidas alheias. Sempre fora, aparentemente, uma pessoa de muitos amigos, mas em seu coração existiam poucos, bem poucos. A esses destinava uma devoção sobre-humana, mesmo tentando esconder isso. Porque, graças a um profundo sentimento de vazio, Clarice achava mais saudável não depender de ninguém. Sonhava com uma felicidade solitária, pois os solitários eram mais interessantes.
Vê-se logo que tudo mudou, como tinha que ser. Não graças a nenhum vício - mal da geração, mas a uma coisa mais complicada, intocável e intragável. Clarice se apaixonara e não compreendia o que aquilo significaria na sua rotina. Desde sua fase niilista, tinha se esquecido de que isso existia. Porque depois do niilismo vieram os outros homens revoltados e aos dezoito, bom, aos dezoito adotava um mix de descrença que eu, sinceramente, não sei ao certo se há corrente filosófica ou não. Por conta disso não sabia demonstrar seus sentimentos e continuava pregando sua solidão como única forma de existência. Foi tão convincente que deixou escapulir entre os seus dedos o seu objeto de admiração, pois de tanto medo ele fugiu para outra e a deixou com os seus livros hereges.
Hoje ela se diz agnóstica, não esconde mais suas afeições, apesar de continuar só. Hoje ela usa decotes, fuma Malboro dourado, embriaga-se com intenções vulgares e bebidas baratas. Para você ver como se enganar pode mudar uma quase-mulher.