07 outubro 2008

Reze enquanto choras.

Você fecha seus olhos e reza. Reza como se o mundo fosse acabar amanhã. Você não sabe se Deus existe, mas ainda assim você reza. Como sua avó te ensinou antes de “deus” a levar.

Pede para que esse não seja um daqueles pesadelos que duram a noite toda, porque a noite, ah, a noite é tão longa e há tantas coisas com as quais você pode sonhar. Você também pede para que suas forças não acabem e que você encontre um caminho. Uma estrada longa com árvores na beira da calçada e aquelas contínuas listras amarelas que levam nossos olhos sempre à frente, até o horizonte e esse horizonte te convida a alcançá-lo. Você pede por uma nova moradia, que seja clara e sempre limpa. Tão organizada como seus pensamentos deveriam ser. Você pede para que esses pensamentos não te abandonem e que eles sejam sempre sensatos, tanto na escuridão como no mais iluminado raiar do sol. Você tem fé de que seus pensamentos a livrarão de todo o mal e que você nunca estará sozinha enquanto conseguir pensar. Você pede para que nunca fuja e nunca utilize recursos errados. Mas pede também que esses recursos existam, à espreita da sua sanidade. Pede por coragem, coragem para utilizar esses recursos quando tiver certeza que suas preces não serão atendidas. De que esse pesadelo é eterno. Que não existe uma estrada e nem um horizonte convidativo. Que você nunca vai conseguir sair daqui e seus pensamentos vão sempre querer te abandonar e que Deus é apenas uma boa e antiga piada.

Então, você se vê sozinha, rezando para o nada, chorando e cuspindo palavras que ninguém nunca vai querer ler. Pode se sentir uma tola. Uma tola que tem muitos recursos e pouca coragem.